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Entre Teoremas e Chocolates: opiniões
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terça-feira, maio 12, 2009

O próximo treinador do Benfica

Entre o actual treinador do Sporting de Braga, um tal de Jorge Jesus e o ex-seleccionador nacional, um gajo que tem como principal adjunto a Caravaggio, eu, se fosse dirigente do Benfica, faria uma escolha com toda a tranquilidade...

Paulo Bento.

sábado, maio 09, 2009

Acima da lei

Ele há coisas engraçadas. Vivemos num regime democrático que tem como consequência uma interminável resma de leis, regulamentos e burocracias que o cidadão tem que cumprir para zelar pelo bem comum, algumas delas completamente estapafúrdias. As autoridades apressam-se a assegurar que um cidadão normal não falha nenhuma das regrazinhas. É por isso que coisas como a ASAE e a EMEL dão tanto nas vistas. No entanto, neste regime supostamente democrático baseado no princípio da igualdade de direitos, há dois grupos que vivem acima da lei. Um é a classe dominante, políticos e gente influente que podem corromper e ser corrompidos sem vergonha e sem receio de punição, porque, no fundo, sabem que a justiça está manietada pela classe à qual pertencem. O outro é o grupo do crime organizado. Estes também se julgam acima da lei. Refugiam-se atrás de gangues ou dentro de guetos que, naturalmente, amedrontam uma polícia mal armada e que trabalha sob o fantasma da não utilização de força extrema, fantasma esse criado por uma comunidade de pseudo-intelectuais que habitam vivendas de Sintra e Cascais. O que se tem passado em Setubal e, frequentemente, em bairros da capital, é gravíssimo. E era bom ouvir gente com cargos de responsabilidade a exigir uma intervenção forte das autoridades. Em primeiro lugar, o responsável máximo pela segurança, o ministro da Administração Interna. Afinal, pôr cobro a estas situações devia ser a primeira função da polícia, muito mais do que andar na caça à multa.
Por muito que os cépticos o neguem, a violência que ciclicamente atinge os arredores de Paris pode um dia reproduzir-se em Portugal. Estamos a pôr-nos a jeito.

terça-feira, março 10, 2009

Este post é uma salada

Pois é, desde que voltei para Portugal ainda não escrevi aqui nada. Tenho estado a preparar alguns textos para os meus outros blogs e tenho ouvido algumas notícias que gostava de ter comentado aqui, mas não tem calhado. Tenho jogado muito futebol e sinto o corpo todo escavacado, porque voltar a jogar depois de dois meses sem desporto é muito agressivo. Tenho lido muito Hemingway e Tolstoi, dois autores que estou a gostar imenso de descobrir e dos quais falarei aqui oportunamente. Tenho também dedicado tempo à matemática, mas parece que o regresso a Portugal provocou em mim uma espécie de descompressão que origina desconcentração frequente.

Relativamente à política, gostava de ter aqui escrito acerca da forma arrogante como o PS tem tratado o poeta Manuel Alegre. O Manuel Alegre, com o seu charme de poeta, parece às vezes viver numa realidade paralela, num mundo mais cor-de-rosa. Por isso, acho que ele não tem perfil para ser um grande líder político, para ser um ministro que tome decisões. Mas talvez tenha perfil para a Presidência da República, que é um cargo mais... teatral. O facto do PS não ter apoiado a sua candidatura, preferindo "desenterrar" politicamente o Mário Soares, foi, na minha opinião, vergonhoso para o partido. E os resultados dessas eleições foram prova disso. Desde então, temos assistido a diversos braços-de-ferro entre Manuel Alegre e o seu partido e a razão tem estado, em geral, do lado de Manuel Alegre.

Relativamente ao futebol, dizer que o Benfica não merece ganhar o campeonato. É claro que eu ficarei feliz se isso acontecer, mas a verdade é que não o merece. Uma equipa que, durante meses a fio, não consegue vencer um único jogo sem espinhas, não deve ganhar troféus. Eu sou um defensor de que o futebol é, em primeiro lugar, um espectáculo, uma forma de arte. Ganhar a qualquer custo, não tem qualquer valor. Na minha opinião, em teoria, é melhor uma equipa que perde alguns jogos, mas que ganha a maioria de forma convincente, do que uma equipa que ganha todos os jogos com vitórias caídas do céu. Nesta perspectiva, o Braga actual é muito melhor equipa que o Benfica... É triste.

Termino com os assuntos mais sérios deste post. Duas notícias recentes, deram conta de duas histórias muito tristes. O suposto desenvolvimento da sociedade actual é, no fundo, uma grande treta (e isto é muito fácil de constatar, nem sequer seria preciso ir buscar estas histórias, basta olhar à nossa volta). Uma das histórias é esta. E um dia destes vou deixar-vos aqui um conto que aborda também um roubo de um pão, mas com um desfecho diferente... A outra história é esta. É uma aberração do princípio ao fim. É uma coisa tão triste que por um lado eu até preferia esquecer a história e não a abordar aqui no blog. Por outro lado, há que denunciar a estupidez... que neste caso atinge contornos de crueldade. Concordo inteiramente com Lula da Silva, quando ele diz que a Igreja não devia ter tomado nenhuma posição publica neste caso. E, a ser tomada uma posição publica, teria sempre que ser uma posição de compreensão para a menina e a sua mãe e de condenação do padrasto. Eu considero-me conservador em muitos assuntos, mas a posição do arcebispo neste caso nem sequer se pode chamar de conservadora. É uma posição própria de gente cruel e desumana, uma posição que não tem nada a ver com cristianismo. Nos evangelhos não encontramos Jesus a condenar as pessoas, mas a amá-las apesar dos seus defeitos e das suas dificuldades em serem íntegras. Em conversa com amigos cristãos, a propósito desta história, lembra-mo-nos da seguinte passagem da Bíblia. O contraste entre a posição de Jesus e a posição do arcebispo é óbvio:

1 Depois todos foram para casa, mas Jesus foi para o monte das Oliveiras.

2 De madrugada ele voltou ao pátio do Templo, e o povo se reuniu em volta dele. Jesus estava sentado, ensinando a todos.

3 Aí alguns mestres da Lei e fariseus levaram a Jesus uma mulher que tinha sido apanhada em adultério e a obrigaram a ficar de pé no meio de todos.

4 Eles disseram: — Mestre, esta mulher foi apanhada no ato de adultério.

5 De acordo com a Lei que Moisés nos deu, as mulheres adúlteras devem ser mortas a pedradas. Mas o senhor, o que é que diz sobre isso?

6 Eles fizeram essa pergunta para conseguir uma prova contra Jesus, pois queriam acusá-lo. Mas ele se abaixou e começou a escrever no chão com o dedo.

7 Como eles continuaram a fazer a mesma pergunta, Jesus endireitou o corpo e disse a eles: — Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher!

8 Depois abaixou-se outra vez e continuou a escrever no chão.

9 Quando ouviram isso, todos foram embora, um por um, começando pelos mais velhos. Ficaram só Jesus e a mulher, e ela continuou ali, de pé.

10 Então Jesus endireitou o corpo e disse: —Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para condenar você?

11 — Ninguém, senhor! — respondeu ela. Jesus disse: — Pois eu também não condeno você. Vá e não peque mais!


Nas várias confissões cristãs, há muita gente que se diz cristã, mas que tem uma ideia muito distorcida da mensagem central dos evangelhos, do caminho que Jesus nos veio mostrar e que, enquanto cristãos, devemos procurar seguir.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Aniversários

Sou um grande despistado no que diz respeito aos aniversários das pessoas. Normalmente conto com a ajuda dos amigos para, no próprio dia, me lembrarem que fulano tal faz anos. O problema não é decorar as datas. Até tenho algumas bem memorizadas e bem arrumadinhas no meu cérebro. O problema maior é que no dia-a-dia não faço a mim próprio a pergunta: "Que dia é hoje?". A minha vida é um bocado independente da data. Se tiver que dizer que dia é hoje, vou ter que perder uns segundos a pensar no assunto. Por isso parece-me natural que não pare para pensar que por ser dia tal do mês tal o fulano tal faz anos. Ninguém me pode levar a mal por isto, acho eu. Mas entretanto encontrei um meio eficaz de me lembrar de boa parte dos aniversários que importam: fazer login no hi5 todos os dias para dar uma espreitadela à lista de aniversários. E assim um gajo aproveita logo e deixa lá uma mensagem de parabéns (o saldo do telemóvel agradece). Finalmente descobri uma utilidade no hi5 para além das outras duas que lhe reconheço: permitir encontrar amigos de infância que não vemos há séculos e alimentar o nosso ego.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Da Madeira vem o exemplo

Ainda, e mais uma vez, a guerra Professores vs ME. Apesar de os motivos não serem os mais nobres (podia ser, sei lá, por protesto) o governo regional da Madeira decidiu atribuir a todos os professores que lecionam no arquipélago a classificação "Bom". Epá, as comissões de avaliação do continente e dos Açores que peguem neste exemplo e que atribuam "Bom" a toda a gente. Assim não há problemas com as quotas e evitam-se chatices. Era um protesto original e muito mais ecológico do que andar a atirar ovos ao carro da ministra.

Mudando de assunto, parece que o reitor da Universidade de Lisboa se demitiu para se recandidatar. Também neste caso foi da Madeira que veio o exemplo, já que ele se deve ter inspirado na bonita carreira política do Alberto João Jardim. Não percebo o que é que ele ganha com isto, para além de, provavelmente, ganhar mais despesas já que será dado início a um período eleitoral e tudo isso custa dinheiro. Mas a verdade é que o homem até é capaz de ter razão para estar descontente. Vai-se ouvindo, nos corredores da FCUL, que a situação é tão grave que é provável que um destes meses não haja dinheiro para pagar os ordenados aos funcionários.

Professores vs ME

Ao contrário de muitas outras guerras ao longo dos anos, a actual guerra que os professores declararam ao Ministério da Educação (daqui em diante designado apenas por ME, for the sake of simplicity), faz todo o sentido. Aliás, as medidas que o ME tem tomado são tão absurdas que até se pode concluir que foi o ME a declarar guerra aos professores e não o contrário. Os senhores teóricos do ME não fazem a mais pálida ideia do que é uma escola e do que significa ser professor actualmente. Os senhores teóricos do ME só querem brincar às estatísticas e, baseados em senhores teóricos que estudam lá as sociologias e as psicologias e que pouco ou nada acrescentam de útil à sociedade, inventam estatutos dos alunos, avaliações de professores, programas e métodos de avaliação que visam o aproveitamento escolar a todo o custo, hierarquias dentro das escolas que só servem para perder tempo em reuniões inúteis. E esquecem-se que a pergunta que devia ser feita, a única pergunta que realmente interessa, é se os alunos estão ou não a aprender. E a resposta, ao contrário do que devia ser normal, não pode passar pelas notas, já que essas são claramente falaciosas. Agora até já implementam quotas para o número de chumbos que pode haver numa escola.  

aqui o escrevi, mas não é demais repetir: os grandes culpados dos problemas do ensino em Portugal não são os professores, são os pais. A desresponsabilização dos pais, a demissão do seu papel de educadores e de autoridades na vida dos filhos terá (já tem) um impacto muito negativo na sociedade e nos jovens que estamos a formar. Durante muitos anos amei a escola por acreditar que era ela a fábrica do futuro, que era lá que se formavam os pensadores e os sonhadores que iriam contribuir para melhorar a sociedade. Vejo a escola como um palco onde podíamos vislumbrar, por entre as cenas que se desenrolavam, um pouco do amanhã. Mas esta minha comparação está incompleta. Como em qualquer fábrica, a escola precisa de matéria prima com qualidade para que o "produto acabado" tenha também qualidade. O problema do ensino não está na escola, mas na qualidade da matéria prima que lhe é fornecida. E quem controla essa matéria prima, quem tem sobre ela influência, são as famílias. Daí que, aprofundando a minha analogia, a conclusão é que a sociedade do amanhã é o reflexo das famílias de hoje. O sistema de ensino também tem a sua quota parte de responsabilidade, mas se a matéria-prima que lhe é fornecida não é boa, a escola não tem nem a obrigação, nem os meios, de fabricar com ela produtos de qualidade. 

segunda-feira, novembro 03, 2008

Extremismo

É capaz de ser uma associação lógica falaciosa, mas ainda assim deixo aqui o meu primeiro pensamento quando li esta notícia chocante: ainda há quem defenda, como é o caso do cheché Mário Soares e mais alguns ilustres da esquerda do caviar, que os governos dos países ocidentais devem combater o terrorismo tentando sentar-se à mesa com esta gente, para com eles negociar. 

BPN, o exemplo de que o crime compensa

A propósito da nacionalização do BPN ainda não ouvi uma posição mais sábia e contundente do que a do meu pai:

«O que estes gajos estão a fazer agora é apenas lavar roupa suja. Os administradores, por terem andado  a brincar com o dinheiro das pessoas, deviam era ir presos.»

Mas infelizmente a realidade é bem diferente e hoje, ao ver a Sic Notícias, ouvi que até é possível, dependendo do acordo que o estado faça, que os administradores venham a ser indemnizados por ficarem sem as suas acções. Ou seja, vivemos num país onde uns poucos andam a chular os outros (desculpem o vocabulário, mas é este o vocabulário que o caso exige) e depois ainda recebem por isso. 

terça-feira, outubro 28, 2008

Qualidade de Vida


O passeio pedonal entre Vila Franca de Xira e Alhandra é uma recente mais valia para os habitantes destas localidades. Agora ao acordar de manhã, e na falta de gente para uma partida de futebol, podemos pegar no mp3 e ir correr à beira do Tejo desfrutando de uma boa vista e um ambiente propício à prática de desporto. É saudável e tem consequências benéficas. Critico a câmara municipal de Vila Franca de Xira por ter como principal amostra de trabalho a quantidade absurda de buracos que estão abertos pela cidade. São obras por tudo quanto é rua ou ruela. Buracos abertos e reabertos, porque as obras ficam mal feitas, construções paradas há anos, obras públicas prometidas há décadas pelas sucessivas câmaras comunistas e socialistas e que só agora começam a ser realizadas, etc.. Há um projecto para um novo hospital que está na gaveta há décadas. No entanto, quando se tratou de construir um museu do neo-realismo, existiram verbas e a obra foi executada com relativa rapidez e eficácia. Prioridades... 

Mas há que aplaudir quando isso é merecido. E o passeio pedonal é motivo para eu aplaudir e para dizer: Maria da Luz Rosinha, finalmente fizeste alguma coisa de jeito! 

A norte de Lisboa, se excluirmos algumas zonas dos Olivais e da Portela (que na prática podem considerar-se como sendo a periferia de Lisboa) e se não quisermos ir para tão longe como Azambuja ou o Cartaxo, Vila Franca de Xira é a melhor cidade para viver. 

De qualquer modo, nas próximas autárquicas vou votar PSD, porque esta câmara sempre esteve muito à esquerda e seria interessante que a direita ganhasse mais força no concelho. 

segunda-feira, outubro 27, 2008

Bolonhices

Hoje descobri que o doutoramento que estou a fazer não é nem o programa doutoral de Bolonha, nem o doutoramento pré-Bolonha. É um híbrido, baseado num decreto de lei de 2006. Desconfio que há muito pouca gente neste limbo. O mais engraçado é que o processo de Bolonha veio virar os serviços académicos das universidades de pernas para o ar e ninguém entende ao certo o que andamos a fazer. Aconteceram coisas surreais, incluíndo processos de equivalência anedóticos. Houve gente mal aconselhada e, no meio da confusão, apenas uma ou outra pessoa dos serviços académicos sabe realmente o que se passa e sabe o que diz. É o que dá terem implementado este processo às três pancadas. Por causa do tal decreto de lei de 2006, esta semana tenho que fazer um seminário que servirá para avaliação e é uma espécie de pro-forma para terminar o 1º ano do doutoramento. O título é "Index Theorems for D-modules" e será uma oportunidade não só para falar daquilo que ando a estudar mas também para testar a minha capacidade de improvisar em inglês.

terça-feira, outubro 07, 2008

Crise?


O que sei é que à conta desta suposta crise devem andar uns quantos chico-espertos (provavelmente aqueles que menos precisam) a meter milhões ao bolso. Ainda não percebi a crise, nem sequer detecto os efeitos do seu agravemento na minha bolsa. O que percebo, e não é preciso ser nenhum especialista em economia para perceber isto, é que há muita especulação e há gente que está a criar propositadamente um clima de pânico que, ao contaminar o cidadão comum, não trará nada de bom!

Entretanto vou planear uma viagem para entrar em 2009 no Luxemburgo, na linda Cidade do Luxemburgo. Desconfio que é um daqueles planos que não vai dar em nada, mas mesmo assim vou pesquisar, pensar num itinerário e esperar que o pessoal não desista da ideia! E como estamos em crise, vou ser muito poupadinho no orçamento, para não chatear os senhores do Dow Jones.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Greves

O direito à greve é muito bonito, mas devia ser usado apenas como último recurso. A greve devia ser (e penso que é neste sentido que está prevista nos estatutos) uma arma dos trabalhadores utilizada quando as negociações entre os seus representantes e os empregadores (ou o estado, no caso) estão a descambar para um final que prejudicará inegavelmente os trabalhadores. Nos últimos anos em Portugal temos assistido a uma banalização absurda do direito à greve. Ele é greves por tudo e por nada, habilmente convocadas para vésperas de feriados ou fim de semanas (vá lá, hoje não foi o caso).  Além disso, sempre ouvi dizer que a greve se faz no local de trabalho. Mas isso é daquelas frases feitas que todos dizem e ninguém parece cumprir. Não sei se os sindicatos tinham ou não razão para convocar a greve de hoje. Não estou minimamente a par de mais este braço de ferro com o governo. Andava mesmo alheado da situação, ao ponto de só hoje ter percebido que havia greve. Até porque vindo da CGTP o melhor é já nem passar cartão. Acho que boa parte dos tipos que estão à frente dos sindicatos sofrem de autismo. Vivem num mundo isolado, exigem e protestam de um modo irritante, como se os problemas pelos quais se batem fossem os únicos a merecer atenção do governo e da opinião pública. Como disse atrás, não sei se há ou não motivo para a greve de hoje. O que sei é que a greve em Portugal começa a ser tratada não como um direito, mas como uma tradição. É feita de ânimo leve e para muitos trabalhadores deixar de trabalhar por umas horas por ser dia de greve ou por ser dia de magusto, é exactamente a mesma coisa.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Incompetência

A cada dia que passa tenho mais vontade de insultar a CP e o Metro pelo péssimo serviço que prestam aos clientes. Ele é chips que não funcionam e que obrigam a comprar bilhetes enquanto se espera pelo novo passe, ele é bilhetes magnéticos que se estragam, ele é máquinas de venda de bilhetes que avariam de repente depois de estarmos na fila à espera durante horas, ele é revisores antipáticos e otários (nem todos), ele é atrasos constantes e esperas prolongadas por incompetência (ou por motivos alheios, como eles gostam de dizer), etc... Mas talvez o melhor seja respirar fundo e não deixar que estas coisas, que são vão tornando corriqueiras, estraguem o dia. Talvez o melhor seja adoptar a expressão brasileira "deixa prá lá cara!" e não perder tempo com isto.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Olha qui coiza máis linda


Ao contrário do que muita gente pensa, o melhor do Brasil não são as praias, nem o carnaval, nem o futebol, nem o café. Não se deixem enganar! O melhor do Brasil é o bossanova. E o positivo disto é não termos que lá ir para ficar a conhecer o melhor do Brasil. Basta ouvir o Vinicius, o Tom Jobin, a Elis, o Ivan Linz, etc...

sábado, setembro 06, 2008

Coisas Realmente Importantes




Os argumentistas da 7ª temporada do 24 devem ser os mesmos das novelas da TVI.

sexta-feira, julho 04, 2008

Festas da Cidade


Este fim de semana temos por cá o famoso colete encarnado, a festa da cidade. Vem muita gente de fora porque parece que durante estes dias sabe melhor apanhar uma bebedeira em Vila Franca do que noutro sítio qualquer, algo que eu não compreendo, porque julgo que se é para estarem bêbados, mais vale pouparem gasolina e ficarem nas vossas cidades. Julgo que uma bebedeira é sempre igual, independentemente do meio ambiente. Depois há o cheiro a sardinha, a cerveja e a vomitado que invade as ruas de sábado para domingo. Há confusão, trânsito, caos e muita folia despropositada. E há os touros. Uma condição necessária para que eu aceitasse alguma lógica nas largadas de touros seria que os cornos do bicho não fossem cortados. Então seria mais interessante avaliar a real coragem dos turistas e dos vilafranquenses que nestes dias se julgam super-heróis por andarem a correr à frente dos bichos. As touradas são uma das tradições mais estúpidas da nossa cultura. Não me identifico miniminante com estas festas e muito menos com as touradas e largadas de touros. São uma manifestação de cobardia e de desprezo absoluto pelos direitos dos animais. 

sábado, abril 26, 2008

António Lobo Antunes


Se eu tivesse uma rubrica no blog chamada "Um Livro, Um desperdício" este seria o primeiro autor a incluir. Não percebo a escrita deste senhor. Tenho o "Ontem não te vi em Babilónia" e, embora tenha feito um esforço enorme para o terminar, não consegui! É impossível perceber a história. Não sei se escrever assim é arte. Só se for arte abstracta, daquela que não é suposto ser entendida. A propósito da escrita deste autor, o Ricardo Araújo Pereira escreveu uma crónica brilhante, incluída no livro de que falei aqui. Pensei em transcrever essa crónica, mas felizmente encontrei-a num blog chamado Travessa Larga. Primeiro aparece uma crónica do próprio António Lobo Antunes e depois a do Ricardo. Não se deixem enganar. O estilo do António Lobo Antunes é mesmo este, mas o encadeamento das frases nos livros dele é muito pior do que nesta crónica, tornando-se impossível perceber do que é que ele está a falar. 

domingo, abril 20, 2008

Jazz

Ontem fui a um concerto ao CCB, englobado nos Dias da Música em Bélem. Fui convidado por amigos sem saber bem ao que ía. Foi um concerto de jazz moderno, com o pianista Bernardo Sassetti e o Will Holshouser Trio (um acordeão, um trompete e um contrabaixo). Gostei de metade dos temas que eles tocaram. A outra metade deu-me sono e não a consegui apreciar. Não consigo perceber o jazz moderno. Não é mesmo a minha onda. Gosto muito do som do piano, que para mim é "o instrumento", e gostei do conjunto. Acho que os quatro instrumentos jogam bem juntos. Mas o jazz contemporâneo é uma fusão do jazz clássico com uma música estranha, definida pela falta de suportes melódicos e rítmicos (olha para mim a fingir que uso termos técnicos e a fazer-me passar por entendido no assunto). Não consigo apreciar este estilo de música. Para mim, jazz instrumental é Yellow Jackets ou algo do género e tudo o que é mais esquisito do que estes grupos torna-se desagradável aos meus ouvidos.

segunda-feira, abril 07, 2008

Pequim 08


Quando o comité olímpico decidiu "presentear" Pequim com a organização dos jogos 2008, já toda gente sabia que na China os direitos humanos não são respeitados e também já era do conhecimento publico (há décadas) a situação no Tibete. Mesmo tendo isso em conta a escolha foi feita. Esta escolha é controversa mas pode ser vista de dois ângulos. Pode ser encarada como uma desvalorização dos actos da China ou então como uma tentativa de aproximação do mundo ocidental à China através do desporto, tentando que este país se torne mais receptivo às influências ocidentais.
O desporto e, em particular, os JO não devem ser usados como armas políticas, mas podem ser usados como oportunidades para um confronto saudável entre culturas. Nesse sentido não critico a atribuição dos JO a Pequim. E não me parece que façam sentido os actuais protestos de várias entidades por causa da situação no Tibete, nem a perseguição à chama olímpica e muito menos os pedidos para que os atletas e as comités olímpicos dos vários países boicotem os jogos.
A situação pode ser comparada, com as devidas distâncias, aos jogos de 1936 realizados em Berlim, num período em que a Alemanha se fechava no ultra-nacionalismo preparando-se para a guerra. A propósito dos JO de 1936, aconselho a autobiografia de Jesse Owens (disponível na amazon). Jesse Owens foi um afro-americano que se destacou nesses jogos inflingindo ao regime de Hitler uma derrota nas pistas de atletismo, mostrando ao mundo e, em particular, aos alemães, que a raça ariana não era, afinal, tão superior quanto Hitler dizia.
E é dessa forma que os atletas que vão à China podem "combater" as injustiças desse país: mostrando aos chineses, com a sua atitude dentro e fora das pistas, que as culturas dos seus países são uma alternativa válida à cultura chinesa (se é que isso é verdade...).

sábado, abril 05, 2008

«Dá-me o telemovel já!» - versão séria

Esta é a versão séria do post «Dá-me o telemóvel já!». Mas como hoje estou mais inclinado para o meu lado irónico, este post vai ficar curtinho. A minha opinião em relação aos problemas de indisciplina nas salas de aula é que quando os adolescentes não respeitam os pais, também não vão respeitar os professores. Ouço dizer que os professores têm que fazer com que os alunos reconheçam a sua autoridade, mas sem a impôr. Não sei muito bem o que isso quer dizer... Se calhar estão à espera que, para aceder à carreira docente, os professores façam um curso de hipnose para que os alunos estejam sossegadinhos durante as aulas.
Os problemas nas salas de aula começam, na maior parte dos casos, em casa. É em casa que os miudos têm que reconhecer a autoridade dos pais para que, de um modo natural, reconheçam também a autoridade dos professores. E quando isso não acontece, a solução é impor a autoridade, estabelecendo limites rígidos e punições adequadas. As réguadas fizeram bem a muita gente. Mas agora, segundo alguns psicológos, nem um pai deve dar um estalo a um filho, quanto mais um professor a um aluno...
Eu durante alguns anos fui um adolescente um pouco problemático. Perdi a conta às vezes que fui expulso da sala de aula, a maioria delas por fazer parvoíces propositadas, tentando armar-me em engraçado e impedindo que o professor ensinasse a matéria. Cheguei a levar um estalo de uma senhora contínua. Como nunca deixei de ter boas notas, até conseguia camuflar parte do meu mau comportamento. Mas em casa era castigado frequentemente quando os meus pais sabiam das minhas asneiras. E sempre fui acompanhado de perto. A disciplina e a devoção dos meus pais foram o catalisador para crescer e adoptar um comportamento mais correcto. Os adolescentes são como os diamantes em bruto: há que lapidar a rebeldia que caracteriza a idade para que eles possam atingir todo o seu potencial. E isso nem sempre se faz com conversas de igual para igual entre pai e filho. Por vezes é preciso, como já disse, estabelecer limites e punições. Caso contrário, arriscamo-nos a que os adolescentes sejam um bando de vadios sem respeito por ninguém e sem rumo.