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Entre Teoremas e Chocolates: junho 2007

quarta-feira, junho 27, 2007

O humor de Churchill

1-Telegramas trocados entre Bernard Shaw (dramaturgo inglês) e Churchill:

Convite de Bernard Shaw para Churchill:

"Tenho o prazer e a honra de convidar o digno primeiro-ministro para a primeira apresentação da minha peça Pigmalião. Venha e traga um amigo, se tiver."

Bernard Shaw

Resposta de Churchill para Bernard Shaw:

"Agradeço ilustre escritor o seu honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver."

"Winston Churchill.

2-O General Montgomery estava sendo homenageado, pois venceu o General Rommel na batalha da África, na IIª Guerra Mundial.

Discurso do Gen. Montgomery:

"Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói."

Churchill ouviu o discurso e retrucou:
"Eu fumo, bebo, prevarico e sou chefe dele."

3-Bate-boca no parlamento inglês e aconteceu num dos discursos de Churchill onde estava uma deputada oposicionista, (do tipo Odete Santos) e pediu um aparte.
Todos sabiam que Churchill não gostava que interrompessem os seus discursos, mas foi dada a palavra a deputada e ela disse em alto e bom som.

-Sr. Ministro, se V. Exa. fosse o meu marido, eu punha veneno no seu café!

Churchill com muita calma, tirou os óculos e naquele silêncio em que todos estavam aguardando a resposta, exclamou:

-Se eu fosse seu marido, eu tomava o café!

Cool Jazz Fest

Aconselho que se gostam de jazz e de outros ritmos dele provenientes, passem por aqui!

Eu Vou =) Norah Jones, 22 de Julho, 21:00, Jardins do Casino Estoril

(E tenho pena de não ir também ao concerto dos Incógnito e ao da Mariza e Amigos - mais pelos amigos do que pela Mariza - mas o dinheiro não estica)

terça-feira, junho 26, 2007

Novo Aeroporto?!

«Após fecho da maternidade de Elvas

Pelo menos 260 portuguesas deram à luz em Badajoz no último ano» (16-06-2007)

«Comissão propõe fecho dos hospitais psiquiátricos do Lorvão e de Arnes» (30-05-2007)

«O processo de requalificação da Rede de Urgências prevê o fecho de 15 Urgências hospitalares e cerca de 140 SAP (Serviço de Atendimento Permanente).» (06-06-2007)

«O ministro da Saúde decidiu ordenar a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias da morte ocorrida terça-feira em Vendas Novas. Uma decisão que surge em resposta às acusações do presidente do município, José Figueira, que remete para o titular da pasta a "responsabilidade política" do caso, ao encerrar o serviço nocturno do centro de saúde da localidade. A mulher, de 51 anos, já estava em falência cardio-respiratória quando os bombeiros chegaram a sua casa, segundo a informação do INEM. Morreu durante a manhã, quando o centro de saúde estava aberto, apesar de este não dispor de equipamentos de suporte avançado de vida necessários para estes casos. Por isso, foi levada para Évora. »(16-06-2007)

«Uma vítima de acidente de viação demorou seis horas a chegar ao serviço de neurocirurgia mais próximo - em Lisboa - e acabou por falecer quatro dias depois. Alvo de críticas, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) justifica-se assegurando que fez tudo o que estava ao seu alcance. Em causa está a deficiente rede de assistência na região. » (15-01-2007)


E podia também ter ido buscar as notícias relativas à falta de verbas para equipamentos hospitalares, para equipamentos de combate aos incêndios, para equipamentos escolares, etc. etc. etc.


Novo aeroporto? É mais uma obra pública que vai implicar prejuízo, prejuízo esse que somos nós, os portugueses comuns, que saldamos com "os apertos do cinto"! É mais uma obra pública que deixa para segundo plano aquelas que são as necessidades reais dos portugueses! É mais uma obra pública para levar a cabo quando a saúde é precária, quando as portuguesas dão à luz em Espanha, quando os idosos não têm nos hospitais e centros de saúde os cuidados e a atenção necessários para terem qualidade de vida! É mais uma obra pública construída enquanto chove nas salas de aula, enquanto muitas escolas não têm verbas para proporcionar condições de aprendizagem minimamente agradáveis, enquanto as escolas primárias vão encerrando pelas vilas do país! É mais um projecto megalómano, enquanto faltam verbas para combater seriamente os incêndios e enquanto vamos alugando mais uns aviões de combate ao fogo aos Espanhóis e aos Russos, em vez de os adquirirmos nós mesmo! Dizem que é um projecto do qual o país tirará benefícios e que nos modernizará... mas os benefícios são sempre para os mesmos e na prática, naquilo que faz diferença real no nosso dia-a-dia, continuamos e continuaremos atrasados!
P.S. Desculpem o estilo 24 horas, mas por vezes o sensacionalismo é uma boa maneira de nos fazermos ouvir!

domingo, junho 24, 2007

Eric Cantona

Para os mais desatentos, Eric Cantona foi um excelente jogador de futebol francês que deu nas vistas ao serviço do Manchester United. Estará talvez no top 10 dos melhores jogadores que vi jogar. Para constatarem que era um grande jogador, façam uma pesquisa no Youtube e vejam por vocês mesmo! Mas para além de dar nas vistas dentro de campo, Cantona tinha (tem?!) uma certa apetência para a polémica. Actualmente joga futebol de praia com os amigos, pela selecção da França, mas dá entrevistas a criticar o futebol francês, dizendo que a selecção dele (no que diz respeito ao futebol de 11) é a Inglaterra. Para além disso, também tem queda para actor! Participou por exemplo no excelente filme "Elizabeth", num papel secundário (a meu ver) brilhantemente executado! Mas a razão deste post, é o desejo de partilhar com os meus leitores uma pérola deste senhor (quem me chamou a atenção para ela foi o Tiago e para ele fica aqui o meu muito obrigado) Vamos contextualizar. Estamos a 25 de Janeiro de 1995. O Manchester United jogou fora contra o Crystal Palace e Eric Cantona foi expulso depois de ter pontapeado um adversário que o tinha agarrado sem punição. Depois de ser expulso, Cantona decide pontapear um adepto do Crystal Palace com um pontapé digno de um mestre de Kung Fu. Podem ver aqui a cena:



Depois disto, Cantona foi condenado a sete dias de cadeia (mas só cumpriu 24 horas). Mais tarde, foi marcada uma conferência de imprensa para que ele pudesse esclarecer o motivo do seu comportamento. E era aqui que eu queria chegar. Nessa conferência de imprensa ele despacha os jornalistas em 15 segundos, com uma frase que se tornou uma das mais célebres frases ditas por um futebolista (embora para mim só hoje se tenha tornado célebre). Aqui está o vídeo:




O que ele diz é "when the seagulls... follow the trawler... it's because they think... sardines will be thrown into the sea". Cuja tradução é qualquer coisa como: quando as gaivotas seguem o barco dos pescadores, é porque pensam que as sardinhas serão atiradas ao mar! Depois levanta-se e vai-se embora... Que grande vedeta!

Sangue, Sofrimento, Lágrimas e Suor


Winston Churchill é uma das personagens da história do século XX que mais me fascina. Actualmente estou a ler um livro que relata os acontecimentos do final de Maio de 1940, quando a França estava próxima de se render à Alemanha e a Grã-Bretanha corria o risco de se ver sozinha a combater contra uma Alemanha que dominava toda a Europa. A personalidade de Churchill, a teimosia e determinação, impediram que fossem encetadas com Hitler e Mussolini qualquer tipo de negociações de paz (que em termos práticos resultariam numa rendição da Grã-Bretanha e no cumprimento de condições impostas pela Alemanha, ainda que teoricamente a independência da Grã-Bretanha não fosse posta em causa). Mais do que isso, foi muito por culpa de Churchill que a Grã-Bretanha se conseguiu manter na guerra sozinha durante vários meses, resistindo aos ataques alemães, até que a União Soviética em Junho de 1941 e os EUA em dezembro do mesmo ano se viram forçados a entrar na guerra.

Mas ainda muito antes desses acontecimentos, a 10 de Maio de 1940, Churchill tornou-se primeiro ministro da Grã-Bretanha e na primeira sessão na câmara dos comuns do parlamento britânico produziu este discurso memorável, que evidencia a sua determinação e carácter:




SANGUE, SOFRIMENTO, LÁGRIMAS E SUOR

"Na última sexta-feira à noite recebi de Sua Majestade o encargo de constituir novo Governo. Era evidente desejo do Parlamento e da Nação que este Governo tivesse a mais ampla base possível e que incluísse todos os Partidos.

Fiz já a parte mais importante desse trabalho.

Formei um gabinete de guerra com cinco membros, que representam, com a Oposição Trabalhista, e os Liberais, a unidade nacional. Era necessário que tudo isto se fizesse num só dia, dada a extrema urgência e gravidade dos acontecimentos. Outros cargos importantes foram providos ontem e apresentarei esta noite ao Rei uma nova lista. Conto concluir amanhã a nomeação dos principais ministros.

A escolha dos restantes ministros normalmente leva um pouco mais de tempo, mas espero que, quando o Parlamento voltar a reunir-se, essa parte da minha tarefa esteja terminada e a constituição do Governo se encontre completa sob todos os pontos de vista. Entendi ser de interesse público propor que a Câmara fosse convocada para hoje. No final da sessão de hoje, propor-se-á o adiamento dos trabalhos até terça-feira, 21 do corrente, tomando-se as disposições adequadas para que a convocação se faça antes disso, se necessário for. As questões a discutir serão notificadas aos Srs. deputados o mais cedo possível.

Convido agora a Câmara, pela moção apresentada em meu nome, a registar a sua aprovação das medidas tomadas e a afirmar a sua confiança no novo Governo.

A resolução:

«Esta Câmara saúda a formação de um governo que representa a vontade única e inflexível da Nação de prosseguir a Guerra com a Alemanha até uma conclusão vitoriosa.»

Formar um Governo de tão vastas e complexas proporções é, já por si, um sério empreendimento, mas devo recordar ainda que estamos na fase preliminar duma das maiores batalhas da história, que fazemos frente ao inimigo em muitos pontos - na Noruega e na Holanda -, e que temos de estar preparados no Mediterrâneo, que a batalha aérea contínua e que temos de proceder nesta ilha a grande número de preparativos.

Neste momento de crise, espero que me seja perdoado não falar hoje mais extensamente à Câmara. Confio em que os meus amigos, colegas e antigos colegas que são afectados pela reconstrução política se mostrem indulgentes para com a falta de cerimonial com que foi necessário actuar. Direi à Câmara o mesmo, que disse aos que entraram para este Governo: «Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor». Temos perante nós uma dura provação. Temos perante nós muitos e longos meses de luta e sofrimento.

Perguntam-me qual é a nossa política? Dir-lhes-ei; fazer a guerra no mar, na terra e no ar, com todo o nosso poder e com todas as forças que Deus possa dar-nos; fazer guerra a uma monstruosa tirania, que não tem precedente no sombrio e lamentável catálogo dos crimes humanos. -; essa a nossa política.

Perguntam-me qual é o nosso objectivo? Posso responder com uma só palavra: Vitória – vitória a todo o custo, vitória a despeito de todo o terror, vitória por mais longo e difícil que possa ser o caminho que a ela nos conduz; porque sem a vitória não sobreviveremos.

Compreendam bem: não sobreviverá o Império Britânico, não sobreviverá tudo o que o Império Britânico representa, não sobreviverá esse impulso que através dos tempos tem conduzido o homem para mais altos destinos.

Mas assumo a minha tarefa com entusiasmo e fé. Tenho a certeza de que a nossa causa não pode perecer entre os homens. Neste momento, sinto-me com direito a reclamar o auxílio de todos, e digo «Unamos as nossas forças e caminhemos juntos".

Outro...

Não, não é cansaço...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Álvaro de Campos

ando numa de heterónimos...

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

As 7 maravilhas da blogosfera

Anda por aí um concurso que visa eleger os 7 melhores blogs da blogosfera portuguesa! Para participar, vou recorrer às "coisas engraçadas" que estão aqui ao lado... e a mais alguns blogs que visito regularmente e que aproveito para recomendar! Soube deste concurso no quarto da minha amiga. Que decidiu votar em mim!! Muito obrigado! =) Podem ver mais informações no blog donde partiu a ideia!

Aqui ficam as minhas 7 escolhas, influenciadas por conhecer alguns dos autores e também por navegar muito por blogs de desporto:

o meu quarto
jaime gaspar
livre indirecto
doutoramento em milão
3 grande portugueses
dias úteis
vedeta ou marreta

sábado, junho 23, 2007

Livro do Desassossego - Excerto 2

Durei horas incógnitas, momentos sucessivos sem relação, no passeio em que fui, de noite, à beira sozinha do mar. Todos os pensamentos, que têm feito viver homens, todas as emoções, que os homens têm deixado de viver, passaram por minha mente, como um resumo escuro da história, nessa minha meditação andada à beira-mar.


Sofri em mim, comigo passearam, à beira ouvida do mar, os desassossegos de todos os tempos. O que os homens quiseram e não fizeram, o que mataram fazendo-o, o que as almas foram e ninguém disse - de tudo isto se formou a alma sensível com que passeei de noite à beira-mar.

(...)

Quem sabe sequer o que pensa, ou o que deseja? Quem sabe o que é para si mesmo? Quantas coisas a música sugere e nos sabe bem que não possam ser! Quantas a noite recorda e choramos, e não foram nunca! Como uma voz solta da paz deitada ao comprido, a enrolação da onda estoira e esfria e há um salivar audível pela praia invisível fora.


Quanto morro se sinto por tudo! Quanto sinto se assim vagueio incorpóreo e humano, com o coração parado como uma praia, e todo o mar de tudo, na noite em que vivemos, batendo alto, chasco, e esfria-se, no meu eterno passeio nocturno à beira-mar.

Livro do Desassossego - Excerto 1

" Conquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu.

Reclamei, espaço a pequeno espaço, o pântano em que me quedara nulo.

Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferros de mim mesmo."

Bernardo Soares


O Tigre e a Neve

Apesar de a minha ideia de escrever acerca dos meus filmes preferidos não ter resultado, tinha que incluir no meu blog uma referência a este filme.

Sabe sempre bem recordar....




E aqui, agora sem legendas, a parte mais bonita do filme: