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Entre Teoremas e Chocolates: Um Livro Um Amigo
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sexta-feira, abril 24, 2009

A Conjectura de Poincaré


Ando a ler isto. É excelente! Não é apenas mais um livro de divulgação matemática, eu diria que é um livro sobre a história da topologia, o ramo da matemática que mais me fascinou enquanto estudante de licenciatura. Foi a topologia que despoletou em mim uma paixão renovada pela matemática avançada. E a abordagem que o autor do livro faz à topologia e à sua história é brilhante. É um livro repleto de curiosidades e de histórias hilariantes acerca das mais geniais mentes que estiveram na origem da conjectura e da sua resolução. A parte matemática é tratada de um modo informal e intuitivo e tem-me ajudado a olhar para a topologia de um modo diferente, mais rico e mais belo.

quinta-feira, abril 02, 2009

John Grisham


Durante a última semana li este livro. É daqueles livros que, num certo sentido, são leves por serem essencialmente de acção e suspense e, por isso, raramente exigem que a leitura seja acompanhada de reflexão. Nem todos os livros do género são bons livros. De tão leves que são, podem tornar-se vazios, desinteressantes. Não é o caso de O Advogado. A acção gira em torno do problema dos sem-abrigo de Washington e os personagens principais são advogados de uma grande firma e advogados que defendem a causa dos sem-abrigo. E mais não conto. Para quem gosta de literatura policial, vale a pena ler. Eu não sou um fanático desse género literário, mas gostei deste livro e pretendo explorar mais as obras de John Grisham.

quarta-feira, março 25, 2009

Grandes Obras Russas

Os meus livros preferidos, pela forma como me marcaram, são livros de carácter cristão. Além disso, adoro biografias e, se tentasse fazer uma lista dos meus livros favoritos, é provável que nos primeiros lugares aparecessem os tais livros de carácter cristão e algumas biografias de autores pouco conhecidos, mas acerca de gente conhecida como Martin Luther King, Winston Churchill ou Paul Rusesabagina. Mas se quiser elaborar essa lista restringindo-me às obras seculares e excluíndo as biografias, lembro-me de imediato dos livros de Ernest Hemingway, Pearl S. Buck, Herman Hesse ou Victor Hugo. E, para dar honra também a alguns portugueses, lembro-me de A Saga, de Sofia de Mello Breyner, Um Homem Não Chora e Felizmente Há Luar, de Luis de Sttau Monteiro e muita coisa de Fernando Pessoa. No entanto, tenho a sensação de que se tivesse tempo para ler tudo o que interessa ler, iria concluir que essa lista seria encabeçada pelas grandes obras que vieram da Russia entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, através de nomes como Tolstoi, Dostoievsky e Pasternak, por exemplo. De todos estes, ainda só li Tolstoi. Li uma versão juvenil do Guerra e Paz e quero, um dia, ler a obra completa. Por enquanto, estou a deliciar-me com Anna Karénina, um romance absolutamente genial. É enorme, mas sinto que cada linha do livro é bem gasta, vale a pena, acrescenta alguma coisa. É uma sensação muito diferente daquela que tive ao ler Eça de Queirós. O Eça foi um escritor contemporâneo do Tolstoi e, em termos meramente estilísticos, talvez se possam encontrar algumas semelhanças, embora eu não saiba se podemos enquadrar o Tolstoi na corrente do realismo. Mas, talvez por ter explorado os livros do Eça demasiado novo, não gostei e fiquei com a sensação que são livros que, depois de espremidos, têm muito pouco conteúdo. Principalmente Os Maias. Com Tolstoi passa-se o contrário. Anna Karénina é uma obra que não se resume a uma história de cá-rá-cá-cá. Consegue ser ao mesmo tempo uma série de coisas: um romance intemporal; uma descrição da alta sociedade russa do século XIX; uma exposição das várias correntes de pensamento que coabitavam dentro da Russia, dando uma panorâmica da história da própria Russia e das tensões que deram origem à revolução agrícola e à ascensão do socialismo; uma narrativa da relação entre a alta sociedade russa e os camponeses, conhecidos como os mujiques; um tratado de filosofia sobre o propósito da vida, feito através dos discursos, atitudes e pensamentos das personagens; uma descrição, que me parece também intemporal, das relações e dos problemas familiares e do papel da mulher na família. E tudo isto é entrançado com mestria por Tolstoi, dando origem a uma obra que não se limita a ser a soma destes aspectos que referi. É uma obra complexa e bonita, para ser saboreada com calma. De Pasternak conheço o Doutor Jivago através da mini-série que por vezes passa na RTP. É do melhor que já vi... tristíssimo, até cruel, mas genial. Anseio por ler a obra original de Pasternak. De Dostoievski não conheço nada, mas tenho expectativas muito elevadas em relação à obra Os Irmãos Karamazov. A Russia é um país imenso, que tem tanto de fascinante como de assustador. Pelo pouco que conheço dos autores russos que referi, julgo que as suas obras têm o condão inigualável de conseguir despertar nos leitores essa mistura entre fascínio e terror. É por isso que estes autores têm, com todo o mérito, um lugar na história dos grandes nomes da literatura.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Dia de Estreias

Foi o dia em que o meu organismo se estreou em ambientes com temperaturas na ordem dos 8 graus negativos, algo que me fez indagar se eu aterrei em Paris ou na Sibéria.

Foi também o dia em que eu me estreei a beber cafés a 2 euros (Porque é que tudo é tão caro nos aeroportos? Quem é que ganha com isso?)

Foi ainda o dia em que me estreei a ler Gabriel Garcia Marquez (infelizmente tive que deixar a Ana Karenine em Portugal porque só o livro pesaria quase os 20 Kg de bagagem que podia trazer comigo) e tenho a dizer que o senhor tem uma escrita muito... qual é a palavra? ... esquisita! À primeira leitura, a ideia com que fico é que existem por ali umas psicoses por resolver. (Mas quem não tem psicoses por resolver, que atire a primeira pedra.)

segunda-feira, novembro 24, 2008

Os Miseráveis

Ah já agora deixem-me dizer algo: a obra Os Miseráveis de Victor Hugo é dos melhores clássicos da literatura. Talvez ao nível de um Guerra e Paz ou coisa que o valha. Li uma versão francesa feita especialmente para jovens (sem palavras complicadas e com passagens abreviadas) e o próximo passo será ler a obra completa em português.

quarta-feira, outubro 15, 2008

É isto que se lê por aqui

Eu sei que não tem grande jeito deixar aqui coisas que não foram escritas ou cantadas (credo!) por mim, até porque defraudo imperdoavelmente as expectativas dos meus leitores, que vivem para ler os meus textos de sobeja qualidade e as minhas opiniões pertinentes e comummente aceites como verdades absolutas. Mas o tempo não abunda, até porque por estes dias tenho preferido entreter-me a ler a autobiografia do Colin Powell em vez de escrever aqui no blog. E também a National Geographic de Outubro que tem um artigo interessantíssimo acerca da memória, essa gaja que tantas vezes me trái. Se me lembrar onde pus a revista, logo à tarde hei-de continuar a ler o artigo. Quanto à autobiografia de Colin Powell é um livro enorme que relata grande parte da história dos USA pós-segunda guerra vista pelos olhos de um filho de emigrantes jamaicanos que cresceu nos bairros pobres de Nova Iorque, tornou-se soldado e chegou a general 4 estrelas e a chefe do estado-maior conjunto dos USA, a mais alta posição militar fardada do país (só abaixo do próprio presidente, que, lá como cá, é o chefe supremo das forças armadas). A história de Colin Powell é um exemplo de que o modelo americano, tendo decerto inúmeras falhas, tem também muitas virtudes. A família de Colin Powell foi para as terras do Tio Sam viver o sonho americano, tal como milhares de emigrantes ao longo da história e Colin Powell personifica o próprio sonho americano. Apesar de seguir uma linha um pouco gabarolas, Colin Powell conta-nos a sua ascensão no exército ao mesmo tempo que nos dá a sua visão da política externa dos USA ao longo da sua carreira. Quando Powell começa a ocupar cargos importantes no Pentágono e como conselheiro de segurança de Reagan, começam a fazer parte da história diversas personagens marcantes do último quarto do século XX. Fascinou-me principalmente a forma como Powell caracterizou Gorbachev e a própria União Soviética, enquanto a guerra fria chegava ao fim. A autobiografia contém também em detalhe a preparação e o desenvolvimento da operação Tempestade no Deserto. Eu confesso que gosto de ler acerca dos bastidores da política, porque quase sempre aquilo que passa cá para fora não corresponde ao modo como as coisas de facto aconteceram. Powell conta como muitas das decisões foram tomadas dando a impressão de que o Bush pai era incomparavelmente mais lúcido que o Bush filho. A grande falha do livro é ter sido publicado em 1995 e, por isso, não aborda o 11 de Setembro e o seu período como secretário de estado de George W. Bush, quando teve que defender a invasão no Iraque na ONU, mostrando provas de que o regime de Saddam possuía armas de destruição massiça, provas essas que, ao que tudo indica, terão sido forjadas. Ainda assim, para quem gosta de autobiografias e/ou história do século XX, recomendo a leitura de A Minha Jornada Americana.

sábado, julho 05, 2008

As Minhas Leituras Recentes

Para a categoria Um Livro, Um Amigo entram directamente e sem discussão dois livros de que já falei aqui: A Idade do Ouro, de Gore Vidal e Boca do Inferno, de Ricardo Araújo Pereira. Quanto a outras leituras recentes que ainda não referi no blog, aí vai:

Felicidade, de Will Ferguson - Ao contrário do que o título possa fazer crer, este é um livro humorístico, uma história descabida e com momentos hilariantes que gira à volta de uma premissa: suponhamos que um dia era posto à venda um livro de auto-ajuda que realmente funcionasse. Uma espécie de compilação de fórmulas para obter a felicidade, fórmulas infalíveis e fáceis de aplicar. De que modo é que esse livro transformaria o mundo? O personagem principal da história é o editor desse livro de auto-ajuda e é um dos poucos que não é atingido pelo furor à volta do livro. É um livro com humor e considero que foi uma boa compra, apesar de não ser (nem pretender ser) uma grande obra. Foi o livro que me fez companhia durante os 10 dias que passei em Paris na Páscoa.

Os Segredos do Reich, de Richard Breitman - Este é um livro pesado que ainda não consegui acabar de ler. Aborda questões que nunca tinha lido em lado nenhum acerca das informações que os aliados tinham durante a guerra, nomeadamente sobre o tratamento dos judeus por parte dos nazis. Mas por ser um livro escrito por um historiador, é uma obra um pouco inacessível para um mero amador como eu. Provavelmente o público alvo é sobretudo o público da área de história, investigadores e alunos. Mas ainda assim gostei do que li até agora e, quando tiver paciência, vou ler o que falta.

Tonio Kroger, de Thomas Mann - Outro livro que ainda não consegui acabar de ler. Apesar de ter gostado do início da história, a escrita de Thomas Mann nem sempre é fácil de acompanhar e o período em que estava a ler este livro acabou por coincidir com uma fase em que tive menos tempo para ler e acabei por deixá-lo de lado. 

A espingarda do meu pai, de Hiner Saleem - Um pequeno testemunho contado na primeira pessoa, acerca da vida no curdistão iraquiano quando este era alvo de ataques das forças de Saddam. A vida e a miséria dos curdos relatada pela escrita de um curdo adolescente que acabou por fugir para a Europa. É um livro que ajuda a entender melhor as guerras que os povos árabes tantas vezes travam entre si, o espírito fratricida que parece guiar estes povos.

Dora Bruder, de Patrick Modiano - A base deste livro é simples: há alguns anos, o autor encontrou num jornal parisiense de 1941 um anúncio que começava com: "Procura-se uma rapariga de 15 anos, Dora Bruder...". Desde então Patrick Modiano ficou perturbado perguntando-se quem seria Dora Bruder e o que lhe tinha acontecido. Decidiu investigar a partir dos escassos dados disponíveis. O livro que escreveu é um ensaio acerca da vida de Dora Bruder, baseado nas informações que conseguiu recolher, na sua própria imaginação e no conhecimento que ele tem da vida em Paris e do percurso dos judeus durante a guerra. É um livro triste, mas do qual gostei.

terça-feira, junho 10, 2008

Feira do Livro

Ontem à tarde/noite fui à feira do livro, passeio obrigatório por esta altura, e o resultado foi o seguinte:

Dois livros de divulgação científica da Gradiva (a minha vontade era comprar meia duzia, incluíndo alguns que já li mas que vale a pena ter, mas contive-me). Comprei A Conjectura de Poincaré de George G. Szpiro e, inevitavelmente, um livro sobre o Feynman, O Melhor de Feynman, episódios da vida do génio contados por amigos e colegas.

Um livro da Pearl S. Buck, uma das poucas autoras de que sou claramente fã, chamado Terra Bendita.

Um livro que me está a despertar muito interesse, sobre um dos assuntos que mais me fascina: a Segunda Guerra Mundial e, em particular, as vidas dos judeus durante a guerra. O título é O Legado de Schindler e trata-se de uma recolha de testemunhos dos sobreviventes da lista. 

A autobiografia de Michal J. Fox, intitulada Um Homem de Sorte. Quem conhece os meus gostos literários deve estar a pensar que esta lista é muito previsível...

Um romance de Rana Dasgupta chamado Tóquio: Voo Cancelado, que foi uma compra feita um pouco às escuras, baseanda na contracapa e no... preço! 

E... parei por aqui, se bem que fiquei com muita vontade de ir buscar qualquer coisa do Ernest Hemingway (apesar do homem gostar de touradas, é capaz de ter escrito alguma coisa de jeito; pelo menos fama não lhe falta). Daqui a uns tempos, digo se gostei ou não dos livros. E um dia destes escrevo acerca das minhas leituras das últimas semanas.

sábado, abril 26, 2008

António Lobo Antunes


Se eu tivesse uma rubrica no blog chamada "Um Livro, Um desperdício" este seria o primeiro autor a incluir. Não percebo a escrita deste senhor. Tenho o "Ontem não te vi em Babilónia" e, embora tenha feito um esforço enorme para o terminar, não consegui! É impossível perceber a história. Não sei se escrever assim é arte. Só se for arte abstracta, daquela que não é suposto ser entendida. A propósito da escrita deste autor, o Ricardo Araújo Pereira escreveu uma crónica brilhante, incluída no livro de que falei aqui. Pensei em transcrever essa crónica, mas felizmente encontrei-a num blog chamado Travessa Larga. Primeiro aparece uma crónica do próprio António Lobo Antunes e depois a do Ricardo. Não se deixem enganar. O estilo do António Lobo Antunes é mesmo este, mas o encadeamento das frases nos livros dele é muito pior do que nesta crónica, tornando-se impossível perceber do que é que ele está a falar. 

quinta-feira, abril 17, 2008

Um Livro, Um Amigo 6 - A Idade do Ouro, Gore Vidal


Ofereceram-mo e está a ser a revelação literária dos últimos meses. Nestas coisas dos romances é melhor não criar grandes expectativas... de um momento para o outro o autor perde o juízo e a história pode descambar para um final estupido. Todavia (que bela conjunção coordenativa adversativa) por enquanto estou a adorar! Só para dar um cheirinho, é um romance histórico centrado na América dos anos 40, no antes, durante e pós guerra. As personagens principais são directores e editores dos principias jornais de Washington e New York. Gente influente a nível político, gente que está nos bastidores das grandes decisões da década e que convive e negoceia com espiões, ministros, senadores e embaixadores. No enredo surgem figuras reais como Franklin Roosevelt, a sua família e outros políticos da época. A Idade do Ouro faz parte de um conjunto de cinco obras que percorrem a primeira metade do século XX e podem ser encaradas como "a história [da América] romanceada de Gore Vidal", citando Gabriel Garcia Marquez.

terça-feira, abril 15, 2008

Um Livro, Um Amigo 5 - A Boca do Inferno


Numa altura em que muito se discute o presente e o futuro do meu clube, o Benfica, decidi destacar aqui um livro de um grande benfiquista, o Ricardo Araújo Pereira. Foi-me oferecido recentemente (merci!) e já o "devorei". É uma recolha das crónicas que ele tem escrito semanalmente para a revista visão ao longo dos últimos anos. É mais do mesmo, mas em grande quantidade: uma dose maciça do humor a que ele já nos habituou. Percorrendo temas desde a política, passando pelo desporto, e indo até aos temas quotidianos e completamente desinteressantes, o livro é descrito na contracapa como sendo «um livro essencial para compreendermos o nosso tempo, especialmente a parte da tarde»! Eu gosto da ironia inteligente de RAP e acho que ele e os outros gatos, recorrendo à ironia, têm feito mais oposição construtiva do que alguns partidos que por aí andam. Para dar um cheirinho daquilo que se lê neste livro, deixo aqui uma crónica escrita em 2005, mas com um conteúdo actual:


«Ser do Benfica: manual de instruções

O Benfica tem boas hipóteses de ser campeão este ano, e eu confesso que não consigo pensar noutra coisa. Devo acrescentar que, mesmo quando o Benfica não tem hipóteses nenhumas de ser campeão, eu não consigo pensar noutra coisa. Mas estou longe de ser um fanático, atenção. Detesto fanáticos do Benfica. São insuportáveis. Os fanáticos acham que o Benfica é o melhor clube do mundo. Um benfiquista a sério pensa de outro modo: não é uma questão de achar: nós temos a certeza de que o Benfica é o melhor clube do mundo. Os fanáticos são uns maricas.

Um benfiquista a sério continua a acreditar na conquista do campeonato mesmo quando já não é matematicamente possível. Porque é que há-de ser a matemática a ditar a possibilidade de se se campeão? E porque não a literatura? O título pode ser matematicamente impossível, mas, ainda assim, literariamente possível. O que impede uma equipa que esteja a liderar o campeonato num determinado momento de abdicar do título a favor do Benfica, por ser a equipa que pratica melhor futebol e veste o equipamento mais bonito? Nada.

Um benfiquista a sério tem aspirações irrealizáveis. Um sportinguista a sério quer que a equipa do Sporting jogue bem. Um portista a sério quer que a equipa do Porto seja aguerrida. Um benfiquista a sério quer que a equipa do Benfica seja «o Benfica». E ser «o Benfica» é quase impossível - especialmente para o Benfica. Isto porque um benfiquista a sério é seriamente doente. O Benfica bem pode ganhar um jogo por quatro ou cinco, que nós saímos da Luz a dizer: «Não jogamos nada, pá.» Isto é, evidentemente, um elogio. É por isto que nós somos o Benfica. Não nos contentamos com sermos os maiores. Sabemos que podemos ser ainda melhores do que aquilo. Podemos ser «o Benfica». E temos todas as condições para sê-lo, uma vez que, curiosamente, já somos o Benfica. Não sei se me faço entender. É provável que não. Eu próprio estou um bocado à nora.

Um benfiquista a sério exige aos jogadores que sejam mais do que são. Exige ao Simão que seja o Simão e que, além disso, tenha a imaginação do Chalana e a garra do Simões; exige ao Manuel Fernandes que seja o Manuel Fernandes e que tenha ainda a força do Coluna e a visão de jogo do Shéu; e exige ao Paulo Almeida que vá para casa e não saia de lá. Um benfiquista a sério é bastante cruel. A não ser que o Paulo Almeida marque três golos ao Porto. Nessa altura o Paulo Almeida fará o que quiser de um benfiquista a sério.

E um benfiquista a sério é um benfiquista a sério. Não é simpatizante do Benfica. O Benfica não desperta sentimentos menores, como a simpatia. Só gera de amor para cima. E é um amor exclusivo. Lembro-me de, um dia, ter tido esta conversa com o meu pai:

Ele: Más notícias, filho. Quando vínhamos para casa, a seguir ao empate do Benfica, a tua mãe caiu e partiu os dois braços e as duas pernas.
Eu: Eh pá, não acredito. O Benfica empatou?

Claro que isto nunca aconteceu. É um exagero que eu uso aqui com fins estilísticos. A minha mãe tinha partido os dois braços mas só uma das pernas. Estava óptima. Apesar disso, este tipo de atitude tem-me causado dissabores ao longo da vida. Eu sei perfeitamente que nunca serei o filho preferido da minha mãe. E eu sou filho único, portanto vejam bem o que isto faz a uma pessoa. »

terça-feira, fevereiro 26, 2008

As minhas leituras recentes


Neste post vou dar a minha opinião (curta) em relação aos livros que tinha comprado em Dezembro e dos quais falei aqui e em relação ao Band Of Brothers, livro que tinha encomendado na net.


A Insustentável Leveza do Ser - Desiludiu-me um pouco... estava à espera de algo diferente. Tem pontos positivos, mas em geral não correspondeu ao que esperava. O modo como as personagens são caracterizadas, aquela coisa que eu costumo referir como "densidade psicológica das personagens" agradou-me. Também gostei de alguma filosofia. Mas em relação às histórias do livro, que acabam por ser o centro da obra, confesso que não encontrei nelas nada digno de interesse.


Enquanto Salazar Dormia - É um livro aceitável que nos dá a conhecer a vida em Lisboa durante a segunda guerra mundial. Como gosto de tudo o que envolva a segunda guerra, considero que o livro foi um bom investimento. No entanto, a parte do romance não tem qualquer piada e apenas serve para fortalecer a minha preferência pelos romances da primeira metade do século XX.


Memórias de Um Escravo Americano - Uma autobiografia crua e desapaixonada de um ex-escravo americano que fugiu para o norte do país onde pôde viver livre, tendo chegado a ocupar cargos políticos. Não sendo uma grande obra, tem aquilo que para mim as autobiografias têm de mais precioso: autenticidade.


Hans - Comprei-o para ficar a conhecer Herman Hesse e gostei! É uma história triste sobre o mal que a sociedade e o sistema de ensino fazem aos adolescentes inteligentes. Apesar de se desenrolar numa vila rural da Alemanha num ambiente de início do século XX, é uma história intemporal. Gostei muito, mesmo muito, da escrita do Herman Hesse. Há muito tempo que não lia um escritor de que gostasse assim, talvez desde a Pearl Buck. Lá está, este é mais um livro que me leva a concluir que, tirando as biografias, prefiro os escritores mais antigos. Os romances modernos não me dizem muito.


Band Of Brothers - O melhor livro que li acerca da Segunda Guerra mundial! Tal como a série (da qual falei aqui e aqui), é uma experiência de realidade virtual. Há medida que lemos vamos conhecendo aquele grupo de soldados e vamos partilhando os sentimentos deles. É um livro intenso e profundo. Conduz-nos àquilo que o homem tem de melhor e de pior, perturba-nos, faz-nos chorar e rir e no fim faz-nos perceber que entre aqueles soldados estavam alguns heróis. Não pelo que fizeram para ganhar a guerra, mas pelo que fizeram uns pelos outros. Este livro merece um post próprio e espero ter tempo para o escrever brevemente.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Um Livro, Um Amigo 4 - Bíblia, Eclesiastes


Nestes posts acerca dos meus livros preferidos, daqueles que realmente modificaram a minha vida, é provável que venha a referir vários livros da Bíblia. A Bíblia é um livro onde tenho aprendido muito. E não estou a falar apenas de aprender os princípios do cristianismo. A Bíblia é o melhor mapa que conheço para quem quer fazer da vida um caminho feliz que leve a uma realização plena. Acredito que Deus nos criou e nos dá saude, força e potencial para termos uma vida completa e de sucesso. Muitas vezes distorcemos a ideia do que é ter «sucesso». A Bíblia dá-nos uma ideia, nalguns pontos uma ideia implícita, noutros mais explícita, de como podemos chegar a esse sucesso e que tipo de sucesso nos pode tornar realmente felizes!


De entre os livros da Bíblia há alguns difíceis de compreender. Há outros que são simples, mas que podem não nos dizer muito. No meu caso, para além dos evangelhos onde podemos ler a biografia de Jesus e para além das epístolas de Paulo onde encontramos conselhos muito actuais, há três livros de que gosto particularmente e que leio repetidas vezes, aprendendo coisas novas de cada vez que os leio. Falo dos livros de Job, de Provérbios e de Eclesiastes (que aparece nalgumas traduções com o nome de Livro do Pregador).


A Bíblia por si só é um livro que merece estar na categoria "Um Livro, Um Amigo". Mas decidi referir separadamente alguns dos livros da Bíblia para poder falar deles com algum detalhe. Hoje quero falar do livro de Eclesiastes. É um livro atribuído ao Rei Salomão, um dos grandes reis de Israel segundo reza a história. Durante o seu reinado a nação de Israel tornou-se prospera como nunca, o que lhe permitiu ter uma vida luxuosa. Salomão pediu a Deus que lhe desse sabedoria e Deus respondeu a esse pedido, tornando-o um homem sábio. Salomão escreveu os livros de Provérbios, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. Enquanto o Cântico dos Cânticos é um livro poético acerca do amor entre um noivo e uma noiva, o livro de Provérbios contém essencialmente breves conclusões acerca das coisas práticas da vida e o livro de Eclesiastes é uma reflexão acerca da condição humana e da realização do homem. São ambos ligeiramente filosóficos.


Eclesiastes é um livro que pode parecer triste, escrito por alguém que está desencantado com a vida. Mas essa é a ideia com que ficamos se fizermos apenas uma leitura superficial. Salomão escreve acerca da velocidade com que a vida passa e acerca da tolice que é o homem trabalhar em vão, acerca da morte, acerca da sorte e do destino de todos e pode parecer que ele estava desiludido com a vida. Mas ele não se limita a falar de uma sina triste que oprime o homem, ele apresenta também uma solução... Ficam aqui alguns versículos de Eclesiastes. No entanto, não sei se são os mais relevantes... fiquei muito indeciso em relação aos versículos que escolhi. Se alguém ler isto e ficar com curiosidade acerca do livro de Eclesiastes, sugiro que o leiam todo. Se não tiverem nenhuma Bíblia à mão, podem ler aqui.


«Que é afinal o que uma pessoa ganha de todo o labor que o fez penar? Apenas dias plenos de tristeza, amargura, fadiga, insónias. Não há dúvida que é algo que não tem lógica. Portanto cheguei à conclusão que não havia nada melhor para o ser humano do que comer, beber e beneficiar do resultado do seu esforço, do seu trabalho. Constatei assim que é Deus quem lhe oferece este prazer, porque quem é que pode comer ou gozar da vida se não lhe for concedido por ele?»


«O que é que uma pessoa realmente obtém com o seu esforço? Pensei nisto em relação às várias espécies de trabalho que Deus dá à humanidade. Tudo tem o seu tempo próprio. Mas ainda que Deus tenha posto no coração do ser humano a ideia de eternidade, mesmo assim o homem não consegue atingir inteiramente o propósito das obras de Deus, desde o princípio até ao fim. Por isso concluí que, primeiramente, não há nada melhor para o ser humano do que ser feliz e gozar da vida, tanto quanto puder; em segundo lugar, que deve comer, beber e disfrutar do fruto do seu trabalho, pois estas coisas são um dom Deus.»
Nota: os versículos foram retirados de uma Bíblia cuja tradução foi feita com uma linguagem mais acessível e actual do que aquela que encontramos na maior parte das Bíblias com traduções mais clássicas. À Bíblia traduzida deste modo, os editores deram o nome de O Livro- A Bíblia para Hoje. Julgo que esta tradução não está disponível na internet.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Soltas

Caiu o ministro da saude, mas não acredito que tenha caído a má administração da saude. Mudam-se as caras, mudam-se os discursos, dá-se esperança aos cidadãos... mas nada me leva a crer que a mudança de ministros inverta a tendência de ruína do nosso sistema de saude.

Tenho criado alguma simpatia pelo Manuel Alegre. Hoje quando soube das reformulações em curso no governo através da Renascença, ouvi o jornalista perguntar ao Manuel Alegre a opinião dele acerca da saída da ministra da cultura e ele responder: "Preferia que saísse a ministra da educação!" Eu até nem sou um crítico da ministra da educação, mas o que me espanta é a franqueza com que Manuel Alegre se refere em relação a ministros do seu próprio partido. Gosto do estilo!

Deixando a política de lado, ontem fui ao cinema ver o Tom Hanks em Jogos de Poder. É um filme agradável, nada de bestial, mas gostei. Sobretudo se comparar com os ultimos filmes que tinha visto no cinema, The Departed e O Escolhido (ao olhar para estes nomes é que reparo que já não ía ao cinema há muitos meses), que foram muito maus. Há uns dois anos fui ao cinema com uma pessoa muito bonita, ver um filme muito bonito, O Tigre e a Neve. Agora tenho a sensação que cada vez que entro numa sala de cinema me calham maus filmes, como se fosse uma espécie de troco por ter tido a sorte de uma vez na vida ver um grande filme no cinema!

Também tenho andado a ler o livro Band Of Brothers que tinha encomendado pela Amazon! Oportunamente merecerá um post só para ele! Aliás, entra directamente para a categoria "Um Livro, Um Amigo". Por agora digo apenas que estou a adorar!
E por falar na 2ª Guerra Mundial, na sexta feira passada requisitei um livro na biblioteca chamado Sheaves On Manifolds, uma espécie de páginas amarelas da teoria dos feixes, e a introdução do livro começa assim: «The aim of this book is to give a self-contained exposition of sheaf theory. Sheaves were created during the last world war by Jean Leray, while he was a prisoner of war in a German camp.» Impressionante como é que um tipo num campo de prisioneiros de guerra conseguiu ter lucidez e inteligência para criar um objecto matemático do mais complexo que existe. Para mim os feixes estão no pódio dos assuntos mais difíceis com que tenho que trabalhar, talvez apenas ultrapassados pelas categorias e functores derivados. É uma curiosidade que tem o seu quê de fascinante... saber que foi num campo de concentração que nasceu uma teoria muito forte, com a qual Serre e Grothendieck revolucionaram a Geometria Algébrica e que mais tarde foi aplicada por outros matemáticos aos aneis não necessariamente comutativos, o que permitiu desenvolver a Análise Algébrica... e é a Análise Algébrica (há quem prefira a designação de Análise Microlocal ou até de Álgebra Não Comutativa) que diariamente me proporciona muitas batalhas e que se está a tornar a minha área de trabalho! E com esta «matematiquice» encerro esta sessão de notas soltas acerca da actualidade, a do país e a minha!

domingo, janeiro 13, 2008

Um Livro, Um Amigo 3 - Histórias Para o Coração


A colecção de livros "Histórias Para o Coração", da United Press, tem alguns dos livros que mais mexeram comigo. Pequenas histórias de incentivo foram recolhidas por Alice Gray e deram origem a livros que podem ser lidos sem pressa, saboreando o ensino e a beleza de cada história. Neste livros encontramos pequenos contos ou lendas sobre as mais diversas virtudes e qualidades do ser humano. Encontramos ainda algumas metáforas sobre a vida e o amor. Encontramos alguns pensamentos que nos falam do amor de Deus. Encontramos também pequenas histórias verídicas que provam que a vida pode ter momentos profundamente bonitos. Julgo que estas histórias contribuíram imenso para moldar o meu carácter e para criar em mim o empenho de ser uma pessoa melhor, mais íntegra.


O ser humano tem por um lado a capacidade de criar, de inovar, de imaginar e de se elevar pela sua própria coragem acima da mediocridade. Por outro lado, em certas fases ou áreas da vida, a nossa coragem não é suficiente, as forças faltam-nos e cedemos a essa mediocridade. Por isso, o ser humano sente necessidade de procurar exemplos. Quando a nossa própria capacidade não nos leva mais longe, procuramos imitar aquilo que achamos que leva ao sucesso das outras pessoas. Em "Histórias Para o Coração" encontrei alguns exemplos que talvez inconscientemente ou mesmo em consciência, tento imitar.


Aqui fica uma das histórias para o coração, escolhida quase aleatoriamente:


«Em 1921, Lewis Lawes tornou-se director da Prisão de Sing Sing. Naquela época, não havia prisão mais rigorosa que essa. Quando o director Lawes se aposentou, 20 anos mais tarde, aquela prisão transformou-se numa instituição humanitária. Os estudiosos do sistema disseram que o responsável pela mudança foi Lawes. Mas, ao ser questionado sobre a transformação, ele disse:

- O mérito todo é de Catherine, a minha maravilhosa esposa, que está enterrada fora dos muros da prisão.

Catherine Lawes era uma jovem mãe de três filhos pequenos quando o seu marido assumiu o posto de director da prisão. Desde o início, todos a advertiram de que ela jamais deveria colocar os pés dentro dos muros da prisão, mas essas advertências não assustaram Catherine! Quando o primeiro jogo de basket foi realizado ali, ela compareceu... atravessou a quadra com os seus três lindos filhos e sentou-se nas arquibancadas na companhia dos internos.

Ela dizia o seguinte:

- Meu marido e eu vamos tomar conta desses presos, e creio que eles vão tomar conta de mim! Não tenho por que me preocupar!

Catherine insistia em fazer amizade com os presos e em conhecer as suas histórias. Ficou a saber que havia ali um assassino confesso que estava cego e resolveu fazer-lhe uma visita.

- Você lê em Braille? - ela disse, segurando-lhe as mãos.

- O que é Braille? - ele perguntou.

Ela ensinou-o a ler. Anos depois, ele chorou emocionado e cheio de afecto por ela.

Posteriormente, Catherine encontrou um surdo-mudo na prisão. Passou a frequentar uma escola especializada em linguagem por sinais. Muitas pessoas diziam que Catherine Lawes era o corpo de Jesus ressuscitado novamente em Sing Sing, de 1921 a 1937.

Subitamente, ela morreu num acidente de carro. Na manhã seguinte ao desastre, Lewis Lawes não compareceu ao trabalho, sendo substituído pelo director interino. Imediatamente, a prisão inteira notou que alguma coisa errada tinha acontecido.

No outro dia, o corpo dela jazia num caixão na sua residência, distante cerca de 1200 metros da prisão. Enquanto fazia a inspecção rotineira, o director interino ficou surpreso ao ver um grupo de criminosos dos mais terríveis e medonhos amontoados como animais diante do portão principal. O director interino aproximou-se e viu lágrimas de sofrimento e tristeza nos olhos de todos. Ele sabia o quanto eles amavam Catherine. Virou-se e encarou o grupo, dizendo:

- Muito bem, homens, vocês podem ir. Mas quero todos vocês de volta esta noite!

Em seguida, abriu o portão e um desfile de criminosos percorreu, sem escolta, os 1200 metros para ficar na fila e prestar as últimas homenagens a Catherine Lawes. E todos retornaram à prisão. Todos!»

Tim Kimmel

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Um Livro, Um Amigo 2 - Viagens No Tempo


Desta vez não falo só de um livro mas de uma colecção inteira. A minha colecção favorita de livros de aventura! Gosto bastante de história e delirava com as peripécias da Ana, do João e do Orlando, o cientista da AIVET (Associação Internacional de Viagens no Espaço e no Tempo). Li a colecção toda, mas recordo-me sobretudo de ficar até altas horas da noite a ler livros como "O Ano da Peste Negra", "O Dia do Terramoto", "O Sabor da Liberdade" e "Brasil! Brasil!". A Ana Maria Magalhães e a Isabel Alçada ficaram mais famosas pela colecção "Uma Aventura", que eu também li, mas para mim a colecção "Viagens No Tempo" era melhor. Estes livros tornaram-se meus amigos e por culpa deles aprendi história, sonhei com tempos e épocas do passado, vivi intensamente as aventuras das personagens e tive pesadelos com terramotos e tsunamis!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Livros

Hoje perdi a cabeça e fui a uma feira do livro que está instalada actualmente na gare do oriente e comprei livros! Um gajo que não está habituado a ter muito dinheiro, apanha-se com o "salário" da FCT e dá nisto! Nos ultimos tempos descobri que comprar livros é ao mesmo tempo uma das minhas actividades preferidas e uma das actividades que mais me angustia. É desesperante ver tanto livro e ter apetite para ler tanta coisa e ter que seleccionar de entre tudo aquilo o que realmente nos interessa. Hoje acabei por não comprar nenhum dos que tinha planeado aqui. Comprei quatro para mim e um para oferecer à minha irmã. E ficaram outros tantos em lista de espera. Acabei por escolher "A Insustentável Leveza do Ser" (por conselho de um amigo), "Hans" de Hermann Hesse (para ficar a conhecer um dos mais famosos autores do século XX), "Enquanto Salazar dormia" (este já o tinha debaixo de olho há meses) e "Memórias de um Escravo Americano" (uma autobiografia não podia faltar). É verdade que em tempos já li mais do que leio hoje. Mais ou menos entre os 10 e os 16 ou 17 anos devorava livros. Depois durante a faculdade a leitura tornou-se mais irregular. Muitas vezes durante o tempo que não estou a estudar prefiro fazer algo menos exigente como ver um bom filme ou apenas ouvir musica. Mas mesmo assim adoro ler e adoro ficar preso a um bom livro! Estou ansioso por ler estes quatro e ficar a saber se podem ou não ser candidatos à categoria "Um Livro, Um Amigo".

sábado, dezembro 08, 2007

Um Livro, Um Amigo 1 - A Saga De Um Pensador


Este talvez seja o livro que mais me fascinou nos ultimos 2 ou 3 anos. O autor é Augusto Cury, um psiquiatra brasileiro com livros escritos em várias vertentes. Este foi o seu primeiro romance, talvez com alguns traços autobiográficos. A personagem principal do livro aprende a viver a vida do modo que eu acredito que a vida deve ser encarada. É um livro intenso, que aborda questões profundas mas de um modo simples. Torna-se inspirador perceber que ao longo da história a personagem se transforma em alguém que consegue aproveitar a vida ao máximo, torna-se livre para ser ele próprio, provocando uma revolução de mentalidades, primeiro nele e depois nos que estão à sua volta.



«Em seguida, questionou a plateia.
- O que é mais importante para formar um pensador: a dúvida ou a resposta pronta?
- A dúvida! - responderam em coro.
- O que ensinam vocês?
Surpreendidos com a pergunta, a grande maioria dos professores de Direito, Psicologia, Sociologia, Engenharia e Pedagogia disseram com honestidade:
- A resposta pronta.
- Senhores, desculpem-me, mas ainda que não tenham consciência disso, por transmitirem o conhecimento pronto, vocês estão a formar repetidores de ideias e não pensadores. O sistema académico tem aprisionado o ser humano e não libertado a sua inteligência.

(...)

- O sistema académico não precisa de concerto, mas de uma revolução. Ele gera gigantes na lógica, mas crianças na emoção. Os alunos não aprendem a libertar a criatividade, a ser empreendedores, a lidar com riscos e desafios. As faculdades ensinam a amar o pódio, mas não ensinam a usar as derrotas.»

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Um Livro, Um Amigo - 0

No meu quarto tenho várias estantes atafulhadas de livros, cadernos, dossiers, folhas soltas, algumas prendas especiais que me deram, etc... Para os livros reservei uma meia dezena de estantes. Em duas delas estão livros diversos, livros oferecidos (alguns deles ficam a meio), livros de aventuras que guardei da minha adolescência, obras obrigatórias para a escola, romances que eram da minha mãe, livros que também "roubei" à minha mãe e que abordam várias questões do cristianismo, etc... Tenho também uma estante cheia de livros de matemática do secundário e básico porque a minha mãe em tempos foi professora e deu-me a tralha toda dela. Tenho noutra estante os livros que utilizei durante a licenciatura, alguns livros da gradiva de divulgação da ciência, alguns livros de ensino de inglês do Wall Street, etc... E na ultima vez que arrumei o quarto (eu diria que foi ontem, mas a minha mãe diria que foi no século passado) desocupei uma estante de propósito para colocar lá um outro género de livros. Os livros que de algum modo marcaram profundamente a minha vida. Para um livro pertencer a essa categoria, tem que ser mais do que um simples livro. Tenho que o ver como um amigo! Decidi criar uma nova rubrica no meu blog dedicada a estes livros. De tempos a tempos escolherei um deles e partilharei com vocês aquilo que ele significa!