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Entre Teoremas e Chocolates

sábado, março 15, 2008

Boa Páscoa


Se perguntarem por mim, estarei em Paris! A passear nos Champs-Elysées e na Ile de la Cité e a levar uma tareia de feixes equivariantes e acções em variedades simpléticas... Esta semana quis escrever várias coisas, mas o tempo não deixou e só agora, nos primeiros minutos de sábado, pude escrever este post. Como amanhã tenho que estar no aeroporto às 7 da manhã, o post será curto!


Pensei escrever um post acerca de um conceito que eu acho curiosíssimo, o de amplitude vocal. Mas já não tenho pachorra para isso, deixo-vos apenas o link para a página da wikipedia onde poderão ler acerca dos fenónemos vocais que existem: há gente com 8 oitavas de voz! É uma coisa impressionante, se bem que, a partir de uma certa altura, as notas agudas são muito desagradáveis.


Pensei escrever também um terceiro post para a série A Teoria dos Quadrados. Mas terá que ficar para quando regressar.


Aproveito para desejar a todos os meus leitores uma excelente Páscoa! =) A minha Páscoa vai ser très jolie ...! Estas são duas das poucas palavras francesas que me saem facilmente. Acho que se me perguntarem qualquer coisa, vou achar tudo très jolie, desde os museus, até às tampas de esgoto!

domingo, março 09, 2008

Olha pra mim a dar ideias ao Vieira


Vá lá Vieira, faz-me a vontade!!! Era uma óptima prenda de anos! =)

E assim vai o Benfica...

Camacho já não é treinador do Benfica. É o fim de um (curto) ciclo sob o comando do Dom Sebastião dos benfiquistas. Durante os 7 meses em que esteve à frente da equipa, destruiu a boa opinião que a maioria dos benfiquistas tinham a seu respeito. A primeira passagem pelo clube deixou água na boca. Ficou a ideia de que se não fosse Mourinho e o seu super-Porto, o Camacho podia ter conquistado coisas engraçadas. Mas este ano Camacho desiludiu muito. Tem todas as atenuantes e mais algumas: a equipa foi mal construída, ele entrou no fim de Agosto e não fez a pré-época com os jogadores, as lesões têm sido uma verdadeira praga, há alguns jogadores que são jovens e ainda não rendem aquilo que se espera deles, etc etc... Eu próprio desde cedo assumi que este ano o objectivo do Benfica não devia ser ganhar títulos, mas apenas construir a base da equipa para a próxima época. Criar rotinas de jogo, adaptar uma tática eficaz aos jogadores disponíveis, perceber onde cada jogador rende mais e como se pode maximizar a qualidade do plantel (que, diga-se, não é tão fraco como alguns comentadores acham), ensinar aos novos jogadores os princípios táticos e técnicos necessários para terem sucesso no futebol europeu, integrar aos poucos os jogadores mais jovens tentando que eles comecem já a atingir todo o seu potencial, em suma, ganhar uma equipa. Era isto que se pedia a Camacho para esta época. Mas há um facto indesmentível: o futebol que o Benfica apresenta tem definhado ao longo destes meses. Actualmente, nem consigo chamar futebol ao jogo que o Benfica faz. São 11 tipos dentro dum campo a correr sem ordem, sem tática, sem conseguirem fazer uma jogada com pés e cabeça. E, para mim, aquilo que a equipa joga é o reflexo daquilo que se treina. E o responsável pelos treinos é Camacho. Por isso a sua saída é inevitável!

Tendo em conta as opções ridículas que Luis Filipe Vieira tem tido em relação à gestão do futebol, a saída de Camacho provoca uma mistura de esperança e receio. Esperança porque dificilmente os próximos tempos poderão ser mais medíocres do que estes ultimos meses. Receio porque Luis Filipe Vieira é perito em tirar da cartola surpresas desagradáveis.

sábado, março 08, 2008

Kamikaze


O Benfica actual tem qualquer coisa de kamikaze!


O governo actual (hum... e não só o actual) também tem o seu quê de kamikaze!


Eu frequentemente chego à conclusão de que sou o maior adversário de mim próprio porque os maiores obstáculos da minha vida sou eu que os coloco lá. Tenho dias em que tudo o que faço parece um atentado kamikaze contra a minha felicidade!


E acredito que o mesmo acontece com alguns dos meus leitores... Mas seja como for a amostra que aqui dou já é suficiente para fazer uma generalização: todos nós temos um bocadinho de nós que é kamikaze!

Avaliação de Professores

Eu não concordo com a avaliação dos professores. Não faz sentido avaliar os professores que dão aulas há anos. Isso a mim soa-me a gozar com o trabalho deles. A unica maneira que eu ainda consigo tolerar para se avaliar um professor é a presença de uma comissão de avaliação, ou algo do género, a assistir a algumas aulas. Porque é nas aulas que um professor exerce a sua actividade, é lá o único sítio onde podemos perceber se um professor cumpre ou não o seu papel, se expõe a matéria com clareza, se tenta motivar os alunos, etc. Mas a avaliação feita deste modo apresenta um entrave: não nos livramos da subjectividade das avaliações feitas por duas out três pessoas. É por isso que este tipo de avaliação que eu até toleraria, não me parece completamente efica, correndo mesmo o risco de ser injusto.

Quanto a avaliar os professores em função das notas dos alunos, não concordo nada. O insucesso escolar tem quase sempre as suas raízes nas famílias, no modo como os pais educam os filhos. Por isso, antes de avaliar os professores pelo sucesso ou insucesso dos seus alunos, teríamos que avaliar os pais. Os pais têm que ser educados! Aliás, muito mais útil que avaliar os professores, será começar a dar-lhes formação de modo a saberem lidar com os pais dos alunos, ajudando-os a serem melhores educadores dos filhos.

Quanto àqueles que estão agora a começar a carreira, também me parece que a avaliação não faz sentido. Nem os testes. Não conheço como é feita a formação de professores nas várias universidades, mas vou tomar como modelo os cursos da FCUL. Creio que os cursos da FCUL têm (ou melhor tinham, porque com Bolonha nem sabemos bem como vão ficar os cursos de ensino) uma boa componente pedagógica. Os estágios são bem acompanhados e bem avaliados. E alguém que tem sucesso no estágio, é alguém que tem as qualidades necessárias para vir a ser um bom professor. Os cursos da FCUL têm também uma boa componente científica avaliada de modo exigente. Por isso acho despropositado que sejam necessários realizar mais testes para poder aceder à carreira docente. E acho ainda mais despropositado que alguém que queira dar aulas de matemática tenha que fazer um teste de português. Ter ou não ter uma boa nota num teste desses não dá nenhuma indicação acerca da competência da pessoa para dar aulas de matemática. Eu tive um professor de matemática no 6º ano que falava muito mal. Era ex-combatente do ultramar, tinha um jeito abrutalhado e parecia sempre meio ébrio. Mas ensinou-me bem matemática. Cá na minha terra ele é tido como um bom professor e, no entanto, era provável que não passasse no tal teste de português.

O problema do ensino actual não são os professores. Há professor negligentes ou mesmo incompetentes, mas são uma minoria e não é por culpa deles que o sistema de ensino está permanentemente adoentado. O estado do ensino actual foi provocado pelos ministros que durante anos a fio se têm dedicado a tomar medidas a curto prazo, que pouco mudam a situação, em vez de delinearem uma estratégia que a médio prazo resulte num sistema de ensino equilibrado e justo.
A chave para termos bons professores não é a avaliação, mas sim a formação. Espero que os segundos ciclos em ensino que Bolonha nos vai trazer garantam uma boa formação. Avaliar os professores é apontar o dedo a quem tem menos culpa.

Outro assunto actual é o novo estatuto do aluno que basicamente parece ser uma tentativa de obrigar os professores a passar toda a gente. Ao longo dos anos, chumbar um ano na escola foi a sorte de muita gente. Agora cada vez menos terão essa sorte, tudo em nome das estatísticas...


Nota: escrevi esta minha opinião para comentar um post do Hugo, em que ele levanta várias questões acerca da avaliação de professores.

segunda-feira, março 03, 2008

Mudanças No Blog

Decidi mudar algumas coisas aqui no meu espaço... Já há algum tempo que andava com vontade de ter uma imagem a acompanhar o título do blog. Aliás, andava com essa vontade mais acentuada desde que a minha amiga rock arranjou um belo quadro para compor o blog dela... (estava com inveja! =P) Como não percebo nem de photoshop, nem de programação em html, andei à procura no google e acabei por encontrar aqui a imagem que podem agora ver no "header". Gostei muito da imagem e, apesar de não ter muito a ver com o título, decidi colocá-la aqui por enquanto.

Mudei também as secções da barra lateral, a lista de links e de sugestões. A secção "Na Mesa de Cabeceira" é um plágio de um "blog giro", enquanto a secção "No mp3" acaba por ser uma extensão natural da primeira! Afinal, as boas ideias são para copiar ;o)

Entretanto, é provável que mais algumas coisas mudem por aqui, na tentativa de criar um layout mais coerente... passando até, quem sabe, pelo nome do blog! Após 2 anos e 200 posts, este meu espaço merece ter um ar mais maduro, apesar do dono continuar a não passar de um candidato a matemático, com cara de puto e com leves tendências esquizofrenicas!

domingo, março 02, 2008

Pedra de Potássio


Durante os anos em que tive físico-química criei algum gosto pela química. Sobretudo pelas experiências químicas em laboratório. Duas das experiências que mais me impressionaram foram a simulação de uma erupção vulcânica com dicromato de amónio e o estudo da reacção do potássio quando este entra em contacto com a água. São experiências clássicas que fazemos na química do 7º, 8º ou 9º ano. Na escola secundária tive um colega que partilhava o gosto pela química. Aliás, ele era mesmo muito apaixonado pela química, mais do que eu, ao ponto de montar em casa um mini-laboratório.
Ontem jantei com ele e com duas amigas dos tempos de secundário. Recordamos esses anos em que aprendemos e crescemos juntos. Rimo-nos com a lembrança dos disparates que fizemos, em particular a lembrança dos "roubos"... Esse meu amigo insistia com os professores de química para lhe deixarem levar algum material para casa. E quando os professores não atendiam ao pedido, ele levava na mesma. Pipetas, tubos de ensaio, erlenmeyers... etc. Diversos instrumentos indispensáveis para que o mini-laboratório tivesse alguma categoria.
Houve um dia em que ele me ofereceu um frasco com uma pedra de potássio, vinda directamente do laboratório da escola. Um dia destes estava a arrumar o meu quarto e encontrei o frasco com a pedra ainda intacta... Tenho-o guardado como uma recordação, mas no dia em que me quiser ver livre do potássio, não sei o que lhe hei-de fazer. Se algum químico ler isto, agradeço que me diga o que devo fazer! Tentar dissolver o potássio na água é capaz de não ser boa ideia! Não quero repetir a proeza do meu professor de físico-química do 9º ano que exagerou na quantidade de potássio, o que originou uma reacção demasiado violenta, semelhante a uma explosão, que nos obrigou a evacuar o laboratório e pregou-nos um enorme susto!

sábado, março 01, 2008

A 200 à hora



Estes meus ultimos dias têm sido cheios, animados, a 200 à hora! Têm sido dias intensos e intervalados por noites nem sempre muito dormidas. Tenho tido muita vontade de trabalhar muito e bem e de aproveitar as oportunidades que cada dia me oferece. E tenho chegado ao fim de cada dia cansado, mas feliz... e com vontade de repetir a dose no dia seguinte. Quando reparo como têm sido estes dias, penso que realmente somos seres muito complexos. Aquilo que numa altura nos tortura, noutra altura pode ser um prazer. A ideia que tenho de mim é que sou uma pessoa pacata, que aprecia um dia-a-dia calmo e relaxado. Por isso, parece-me que o ritmo destes dias destoa bastante do ritmo padrão da minha vida. Mergulhar assim de cabeça na vida, sem vir à tona para respirar durante uns segundos, seria uma tortura noutras alturas. Chegaria ao fim do dia esgotado e triste. Mas desta vez é com agrado que noto que tenho gostado destes dias!

Agora vou dormir uma noite não muito dormida e amanhã (sábado) vou viver mais um dia. Animado, mas provavelmente não tanto quanto os ultimos! Futebolada com os amigos, almoçar com a família, trabalhar (a ver se passo da página 7 do artigo... errr), arrumações, estudar francês e jantar com amigos do "liceu", são as actividades agendadas. E, se houver oportunidade, deitar um olho ao jogo do Manchester United.

(Num sentido metafórico, a Norah Jones ou o Andrea Bocelli seriam a banda sonora ideal para os meus dias, mas esta semana o Jamiroquai adequa-se mais!)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

As minhas leituras recentes


Neste post vou dar a minha opinião (curta) em relação aos livros que tinha comprado em Dezembro e dos quais falei aqui e em relação ao Band Of Brothers, livro que tinha encomendado na net.


A Insustentável Leveza do Ser - Desiludiu-me um pouco... estava à espera de algo diferente. Tem pontos positivos, mas em geral não correspondeu ao que esperava. O modo como as personagens são caracterizadas, aquela coisa que eu costumo referir como "densidade psicológica das personagens" agradou-me. Também gostei de alguma filosofia. Mas em relação às histórias do livro, que acabam por ser o centro da obra, confesso que não encontrei nelas nada digno de interesse.


Enquanto Salazar Dormia - É um livro aceitável que nos dá a conhecer a vida em Lisboa durante a segunda guerra mundial. Como gosto de tudo o que envolva a segunda guerra, considero que o livro foi um bom investimento. No entanto, a parte do romance não tem qualquer piada e apenas serve para fortalecer a minha preferência pelos romances da primeira metade do século XX.


Memórias de Um Escravo Americano - Uma autobiografia crua e desapaixonada de um ex-escravo americano que fugiu para o norte do país onde pôde viver livre, tendo chegado a ocupar cargos políticos. Não sendo uma grande obra, tem aquilo que para mim as autobiografias têm de mais precioso: autenticidade.


Hans - Comprei-o para ficar a conhecer Herman Hesse e gostei! É uma história triste sobre o mal que a sociedade e o sistema de ensino fazem aos adolescentes inteligentes. Apesar de se desenrolar numa vila rural da Alemanha num ambiente de início do século XX, é uma história intemporal. Gostei muito, mesmo muito, da escrita do Herman Hesse. Há muito tempo que não lia um escritor de que gostasse assim, talvez desde a Pearl Buck. Lá está, este é mais um livro que me leva a concluir que, tirando as biografias, prefiro os escritores mais antigos. Os romances modernos não me dizem muito.


Band Of Brothers - O melhor livro que li acerca da Segunda Guerra mundial! Tal como a série (da qual falei aqui e aqui), é uma experiência de realidade virtual. Há medida que lemos vamos conhecendo aquele grupo de soldados e vamos partilhando os sentimentos deles. É um livro intenso e profundo. Conduz-nos àquilo que o homem tem de melhor e de pior, perturba-nos, faz-nos chorar e rir e no fim faz-nos perceber que entre aqueles soldados estavam alguns heróis. Não pelo que fizeram para ganhar a guerra, mas pelo que fizeram uns pelos outros. Este livro merece um post próprio e espero ter tempo para o escrever brevemente.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Soltas

1) Hoje realizei (ou melhor, comecei a realizar) um sonho! =)

2) Se é para ir a Cuba, que seja em breve! Eu duvido que chegue a tempo de algum dia conhecer a Cuba pela qual se apaixonaram diversas personagens históricas e pela qual se apaixonam milhares de turistas anualmente. Mesmo assim é dos países não europeus que mais gostava de visitar, mesmo que muita coisa mude por lá.

3) As imagens da lesão do Edu, jogador do Arsenal, são arrepiantes. Para já prevê-se que possa estar pronto para voltar a competir daqui a 9 meses. Estimativa que, tendo em conta a violência do lance, até é um mal menor. Deve ser horrível um jogador ver-se privado de fazer aquilo de que mais gosta... mas estas coisas fazem parte do futebol. O lance era evitável, a forma como o jogador adversário se faz à bola não é a mais correcta e ele acaba por atingir violentamente o Edu. Mas não creio que se deva crucificar o jogador do Birmingham, Martin Taylor. Não me parece que haja intenção de lesionar o Edu. O Taylor deve sentir-se péssimo por ter feito isto a um colega de profissão. As imagens do lance são escassas. Já estiveram no youtube, mas têm sido retiradas. Podem ver estas fotos 1, 2, 3 e 4 (tive conhecimento delas no livreindirecto). São arrepiantes, mas não tanto como alguns vídeos e fotos que já estiveram no youtube.

4) Anda a circular por aí um mail acerca de uma previsão do Eisenhower e de essa previsão se estar a tornar realidade. Assim começa o texto do dito cujo: «É uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos. E o motivo, ele assim explanou: " Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum ponto ao longo da história, algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu".» A verdade é que não é só o presidente do Irão que diz que o holocausto é um mito da história. Também na Europa começamos a assistir à disseminação desta ideia, a pouco e pouco. Considero isto grave, muito grave! É um erro não aprendermos com a história, é um erro ignorá-la e deturpá-la, porque isso contribuirá para que um dia a história se possa repetir. Oportunamente, falarei de novo acerca deste assunto.

5) Em Março, viagem a Paris para tentar dar um empurrão no doutoramento... sinto-me perto de perceber razoavelmente o problema proposto para a tese. Mas sinto-me longe de poder fazer qualquer coisa por mim próprio. Espero que os 10 dias em Paris sirvam para delinear uma estratégia para começar a trabalhar no problema. Há meia duzia de artigos para ler e muita teoria de feixes por saber, mas de tudo isto há que seleccionar o que é realmente importante.

6) No próximo post falarei dos livros que li ultimamente e dos livros que comprei na semana passada (voltei a perder a cabeça ao passar na feira do livro instalada na gare do Oriente).