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Entre Teoremas e Chocolates

domingo, junho 24, 2007

Outro...

Não, não é cansaço...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Álvaro de Campos

ando numa de heterónimos...

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

As 7 maravilhas da blogosfera

Anda por aí um concurso que visa eleger os 7 melhores blogs da blogosfera portuguesa! Para participar, vou recorrer às "coisas engraçadas" que estão aqui ao lado... e a mais alguns blogs que visito regularmente e que aproveito para recomendar! Soube deste concurso no quarto da minha amiga. Que decidiu votar em mim!! Muito obrigado! =) Podem ver mais informações no blog donde partiu a ideia!

Aqui ficam as minhas 7 escolhas, influenciadas por conhecer alguns dos autores e também por navegar muito por blogs de desporto:

o meu quarto
jaime gaspar
livre indirecto
doutoramento em milão
3 grande portugueses
dias úteis
vedeta ou marreta

sábado, junho 23, 2007

Livro do Desassossego - Excerto 2

Durei horas incógnitas, momentos sucessivos sem relação, no passeio em que fui, de noite, à beira sozinha do mar. Todos os pensamentos, que têm feito viver homens, todas as emoções, que os homens têm deixado de viver, passaram por minha mente, como um resumo escuro da história, nessa minha meditação andada à beira-mar.


Sofri em mim, comigo passearam, à beira ouvida do mar, os desassossegos de todos os tempos. O que os homens quiseram e não fizeram, o que mataram fazendo-o, o que as almas foram e ninguém disse - de tudo isto se formou a alma sensível com que passeei de noite à beira-mar.

(...)

Quem sabe sequer o que pensa, ou o que deseja? Quem sabe o que é para si mesmo? Quantas coisas a música sugere e nos sabe bem que não possam ser! Quantas a noite recorda e choramos, e não foram nunca! Como uma voz solta da paz deitada ao comprido, a enrolação da onda estoira e esfria e há um salivar audível pela praia invisível fora.


Quanto morro se sinto por tudo! Quanto sinto se assim vagueio incorpóreo e humano, com o coração parado como uma praia, e todo o mar de tudo, na noite em que vivemos, batendo alto, chasco, e esfria-se, no meu eterno passeio nocturno à beira-mar.

Livro do Desassossego - Excerto 1

" Conquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu.

Reclamei, espaço a pequeno espaço, o pântano em que me quedara nulo.

Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferros de mim mesmo."

Bernardo Soares


O Tigre e a Neve

Apesar de a minha ideia de escrever acerca dos meus filmes preferidos não ter resultado, tinha que incluir no meu blog uma referência a este filme.

Sabe sempre bem recordar....




E aqui, agora sem legendas, a parte mais bonita do filme:

sábado, maio 26, 2007

Um processozito é que vinha a calhar...

Estou a pensar ter um tempinho livre lá para o fim do Verão... era uma boa altura para ser processado e passar pela experiência de ir a tribunal e não sei quê... Por isso cá está:



segunda-feira, março 19, 2007

Orgulho e Preconceito



Baseado num romance de Jane Austen que, para além deste, originou outros 3 filmes, esta história passa-se em Inglaterra, no ano 1797. As cinco irmãs Bennet - Elizabeth, a personagem principal, interpretada pela actriz Keira Knightley (para mim a actriz mais bonita de Hollywood), Jane, Lydia , Mary e Kitty - foram criadas por uma mãe que tinha fixação em encontrar maridos que garantissem o futuro das filhas. Porém Elizabeth, com o apoio do seu pai, deseja ter uma vida mais ampla do que dedicar-se apenas ao marido.

Quando o sr. Bingley, um solteiro rico, passa a morar numa mansão vizinha, as irmãs ficam logo agitadas. Jane parece que conquistará rapidamente o coração do novo vizinho, enquanto Elizabeth conhece o sr. Darcy (interpretado por Matthew Macfadyen), um homem sério e snobe. Os encontros entre Elizabeth e Darcy passam a ser cada vez mais constantes. No entanto, eles passam o tempo a discutir e têm personalidades muito distintas que chocam constantemente. A história do filme gira então em torno do romance de Elizabeth e Darcy.

Para além da história ser muito bonita, simples e profunda, há todo um pano de fundo da Inglaterra do século XVIII e da vida social marcada por inúmeras festas, oportunidades para que os jovens solteiros possam cortejar as raparigas. As personagens têm características muito peculiares, o que permite momentos de um humor leve e refrescante.


Trata-se daquilo a que chamaria um drama romântico, brilhantemente interpretado pela dupla de actores.
Dentro do género, foi o melhor filme que vi. Sem dúvida uma excelente opção para quando se deseja uma história calma e bela.

domingo, março 18, 2007

O Resgate do Soldado Ryan



Indispensável para quem gosta de filmes acerca da 2ª grande guerra. Um dos melhores filmes de Steven Spielberg, com um excelente elenco encabeçado pelo Tom Hanks.

A história desenrola-se durante o ano de 1944, começando com o desembarque das forças aliadas na Normandia no Dia D. A primeira parte do filme é extremamente realista, intensa e violenta. Repleta de cenas em que a vontade do espectador é desviar o olhar ou então chorar perante o horror da guerra.

Após o ataque, descobre-se que 3 dos irmãos Ryan morreram em combate. Ao capitão John Miller - Tom Hanks - e seus homens é designada a missão de resgatar o último filho, James Ryan - Matt Damon, que era parte do pelotão de paraquedistas e caiu no lugar errado, podendo estar em qualquer lugar da França.

A segunda parte do filme mostra então John Miller e o seu pelotão à procura do soldado Ryan, numa França ferida e em constante ebulição. É uma história a roçar o ridículo expondo a estupidez da guerra: um pelotão de soldados arriscam a vida para resgatar um único soldado! A realização de Spielberg é brilhante e o filme está cheio de pormenores... à Spielberg!

sábado, março 17, 2007

Futuros posts... quiçá...

Proponho-me nos próximos tempos fazer alguns posts acerca dos meus filmes preferidos! Depois de ver o Entre Inimigos cheguei à conclusão que as pessoas não devem andar a ver os mesmos filmes que eu... caso contrário nunca diriam que este filme é bom e nunca concordariam com os óscares que recebeu (desculpem lá, Tiago, Joana e mais uma série de gente que gostou do filme). Então recomendarei aqui alguns filmes que poderão ver se gostam de bom cinema!

Também tenho tido vontade de fazer uma série de posts acerca de cientistas (principalmente matemáticos) que tenham marcado a história da ciência e que eu aprecio especialmente. Mas esta ideia é menos executável uma vez que exige alguma pesquisa e uma boa análise das fontes, para que o conteúdo dos posts seja fiável. Por outro lado seria algo pedagógico, até para mim uma vez que sei pouco acerca dessas personagens fascinantes da ciência. Vou pensar seriamente no assunto... mas não prometo nada uma vez que quando quiser prometer coisas, dedico-me à política!